29 julho, 2015

Efeito colateral

Os novos tratamentos contra o HIV, inclusos os de prevenção, já têm menos efeitos colaterais que no passado. Mas isso não significa uma vida fácil

aidsLedo engano se você imagina que a vida de um soropositivo é fácil. Embora o tratamento mais comum seja feito com um comprimido que combina três antirretrovirais em um, um soropositivo pode tomar, ainda hoje, até 20 comprimidos. Tem até esquema com injeção subcutânea. Aderir cedo ao tratamento é a melhor forma de garantir uma vida sem maiores turbulências. Nesta parte da entrevista, o infectologista Ricardo Vasconcelos esclarece as dificuldades de se tomar medicações para o resto da vida – e o que você vai enfrentar se escolher usar o truvada como complemento à camisinha.

O Brasil tem os melhores antirretrovirais?

Há medicamentos muito melhores que esse “três em um” que tanto se fala. Mas ainda somos um grande País no tratamento e estamos nos mexendo para conseguir os melhores remédios. Faça uma analogia com um carro: não dá para dar uma Ferrari para todo mundo. E quando elas chegarem, vão primeiro para quem tem um vírus já resistente a coquetéis disseminados. É natural, se não a conta não fecha. O Brasil faz muito e assinou com a Organização Mundial da Saúde um compromisso de que, até 2020, 90% de nossos soropositivos estejam diagnosticados e tratados. Indetectáveis. Se conseguirmos isso, até 2030 teremos controlado a doença.

Quais são os efeitos colaterais?

Quase não se vê mais grandes efeitos colaterais. Temos que parar de pensar como se estivéssemos nos anos 1980, quando tinha-se medo da lipodistrofia, que acumula gordura em algumas partes do corpo e provoca a perda em outras regiões, como o rosto. É a velha imagem do positivo esquálido e magro. No esquema básico não se tem mais esse efeito. Os danos mais comuns atualmente são os distúrbios do sono, além de poder comprometer os rins e o fígado. E, é claro, há um período de adaptação, que pode levar até um mês.

E quem optou tomar o truvada? Vai sofrer danos?

O truvada combina dois antirretrovirais já conhecidos dos soropositivos. A ciência tinha medo dos problemas renais e ósseos que ele causava nos positivos. Mas nos negativos que optaram tomá-lo como prevenção, os efeitos não são significantes.

Então é como um bipolar tomar um remédio?

Claro que não. Um bipolar toma remédios psiquiátricos porque tem uma doença. Quem toma truvada não tem nada a tratar e optou incluí-lo como forma de prevenção. De preferência junto da camisinha, certo?


Você está na parte 4 de nosso especial sobre o HIV, leia as demais:

Parte 1: Precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: Truvada e profilaxias. O bê-á-bá do para se prevenir do HIV

Parte 3: Soroconcordante ou sorodiscordante? Por que você não precisa ter medo em se relacionar com um positivo

Parte 5: Anabolizantes e outras coisas que um soropositivo deve evitar

Parte 6: A busca pela cura do HIV e um tapa no preconceito