4 abril, 2017

Ter um parceiro fixo protege do HIV?

Tem um parceiro fixo, mesmo que único? Sim, o HIV e as DSTs devem ser discutidas no relacionamento

Na década de 80, época em que a epidemia de HIV crescia de maneira explosiva nos Estados Unidos, uma das campanhas de prevenção utilizadas por lá ficou conhecida como ABC – Abstinence, Be faithful and use Condons (abstinência sexual, seja fiel e use camisinha).

Equivocada, a campanha não teve muita repercussão além das críticas, e nem obteve o impacto esperado na redução dos novos casos diagnosticados da doença. O equívoco da campanha estava em grande parte na dificuldade que existe em aderir às medidas propostas.

Não cabia naquele momento e, nem nunca caberá, às autoridades da saúde controlar nem determinar com quem nem com quantos uma pessoa deve transar. Diferentemente, as campanhas de prevenção bem-sucedidas são aquelas que conseguem orientar sem julgamento as pessoas a viverem suas vidas sexuais com plenitude e satisfação, mas reduzindo a chance de ocorrer um desfecho negativo relacionado a isso, como por exemplo uma DST.

Em pesquisa recente realizada no serviço de testagem rápida para DSTs do ambulatório de HIV do Hospital das Clínicas da FMUSP (SEAP HIV/Aids) foi verificado, após o levantamento de quase 3 mil atendimentos entre 2014 e 2016, que aqueles que tinham parceiro fixo ou referiram ter poucos parceiros sexuais nos últimos 12 meses não apresentaram menor chance de ter o resultado do teste rápido positivo para HIV. Em outras palavras, ter poucos parceiros parece não proteger isoladamente do HIV quando não são usadas estratégias de prevenção nessas relações sexuais.

De fato, entre os participantes do Projeto PrEP Brasil, em que cerca de 500 homens gays, mulheres trans e travestis estão tomando Truvada® como prevenção do HIV desde 2014, um dos principais motivos para o abandono do uso da camisinha nas relações sexuais é o ganho de intimidade com um parceiro. É frequente a história em que, depois de algumas vezes saindo com o mesmo parceiro, o preservativo começa a ser deixado de lado, sem que qualquer exame ou conversa sejam feitos, mas apenas porque “já confia nele”.

No Projeto PrEP Brasil não encontramos casos de pessoas pegando HIV uma vez que o Truvada as protege da infecção, mas no consultório atendo com frequência casos recém diagnosticados de pacientes relatando que só tinham relações sexuais desprotegidas com seus parceiros fixos, parceiros estes que até então desconheciam sua soropositividade para o vírus.

Não quero com esse texto desesperar aqueles que se encontram num relacionamento fixo, mas lembrar que, mesmo num relacionamento, é importante estar atento à prevenção do HIV e outras DSTs.

É preciso ser franco ao se estabelecer as regras do namoro/casamento, e nos casos de relacionamentos abertos exigir o uso do preservativo sempre nas relações com parceiros casuais para que nenhuma DST entre na história do casal. É recomendado também sempre realizar os exames de DSTs antes de decidir por abandonar o uso do preservativo com o parceiro fixo e, independente do relacionamento ser aberto ou não, repeti-las a cada 3 – 6 meses.

Se a camisinha por algum motivo não foi usada numa “pulada de cerca” com um parceiro casual, não deixe de buscar a PEP em até 72h. E se ela frequentemente não está sendo usada em situações como essa, busque já a PrEP com Truvada, disponível por enquanto apenas no mercado privado, mas já em fase de implantação no sistema público de saúde. Fazendo isso você está zelando pela saúde do casal.

No caso de um dos dois se descobrir vivendo com HIV numa dessas testagens, ainda assim não há motivo para desespero nem para o término do namoro. Sabemos hoje que uma pessoa soropositiva que faz uso correto dos seus antirretrovirais e mantem sua infecção controlada, sem vírus detectável no sangue, não é capaz de transmitir seu vírus a outras pessoas por via sexual desprotegida.

Para os interessados no assunto, essa semana na quarta-feira, dia 05/abril, às 13:50h, realizaremos uma roda de conversa sobre prevenção de HIV nos tempos atuais, com transmissão em Live pela internet, com possibilidade de os internautas fazerem perguntas. Essa atividade faz parte do Curso Avançado de Patogênese do HIV da FMUSP (www.patogenesedohiv.com.br). Para assistir basta estar atento no horário indicado à fanpage do curso no Facebook, clicando aqui.

Pensar e falar sobre o HIV com seus parceiros, e encontrar as estratégias de prevenção que melhor se encaixam no perfil de cada um, são atualmente a melhor maneira, solteiro ou casado, para se encarar a prevenção do vírus com eficácia, embasamento científico e tranquilidade.

Se você achou que pregar a abstinência ou a fidelidade era uma medida ridícula de prevenção de HIV, repense se considera ainda hoje que ter um parceiro fixo, mesmo que seja único, é uma maneira eficaz de se proteger do vírus sem que esses tópicos sejam abordados de maneira franca no relacionamento.

É preciso ser franco ao se estabelecer as regras do namoro/casamento, e nos casos de relacionamentos abertos exigir o uso do preservativo sempre nas relações com parceiros casuais para que nenhuma DST entre na história do casal. É recomendado também sempre realizar os exames de DSTs antes de decidir por abandonar o uso do preservativo com o parceiro fixo e, independente do relacionamento ser aberto ou não, repeti-las a cada 3 – 6 meses.

Se a camisinha por algum motivo não foi usada numa “pulada de cerca” com um parceiro casual, não deixe de buscar a PEP em até 72h. E se ela frequentemente não está sendo usada em situações como essa, busque já a PrEP com Truvada, disponível por enquanto apenas no mercado privado, mas já em fase de implantação no sistema público de saúde. Fazendo isso você está zelando pela saúde do casal.

No caso de um dos dois se descobrir vivendo com HIV numa dessas testagens, ainda assim não há motivo para desespero nem para o término do namoro. Sabemos hoje que uma pessoa soropositiva que faz uso correto dos seus antirretrovirais e mantem sua infecção controlada, sem vírus detectável no sangue, não é capaz de transmitir seu vírus a outras pessoas por via sexual desprotegida.

Para os interessados no assunto, essa semana na quarta-feira, dia 05/abril, às 13:50h, realizaremos uma roda de conversa sobre prevenção de HIV nos tempos atuais, com transmissão em Live pela internet, com possibilidade de os internautas fazerem perguntas. Essa atividade faz parte do Curso Avançado de Patogênese do HIV da FMUSP (www.patogenesedohiv.com.br). Para assistir basta estar atento no horário indicado à fanpage do curso no Facebook, clicando aqui.

Pensar e falar sobre o HIV com seus parceiros, e encontrar as estratégias de prevenção que melhor se encaixam no perfil de cada um, são atualmente a melhor maneira, solteiro ou casado, para se encarar a prevenção do vírus com eficácia, embasamento científico e tranquilidade.

Se você achou que pregar a abstinência ou a fidelidade era uma medida ridícula de prevenção de HIV, repense se considera ainda hoje que ter um parceiro fixo, mesmo que seja único, é uma maneira eficaz de se proteger do vírus sem que esses tópicos sejam abordados de maneira franca no relacionamento.


Mais textos do infectologista Ricardo Vasconcelos

Boa Noite Cinderela volta assustar. Mantenha-se acordado!

A chegada do Truvada ao SUS depende de sua ajuda

A chegada ao Brasil de um antirretroviral esperado

Direto de Seattle: as boas notícias sobre o HIV no maior congresso do mundo


Ricardo Vasconcelos – currículo completo e contatos aqui –, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), é infectologista do Hospital das Clínicas e trabalha no projeto PrEP Brasil, que você pode conhecer melhor clicando aqui.


Aproveite e leia nosso especial sobre o HIV!

Parte 1: Especial UAA: precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: A verdade: portador do vírus do HIV indetectável não transmite o vírus

Parte 3: Por que você pode namorar um soropositivo e a vida de dois positivos juntos

Parte 4: Por que todos devem começar o tratamento ao serem diagnosticados com o HIV

Parte 5: Dúvidas dos leitores: do sexo oral a efeitos colaterais dos remédios contra o HIV

Parte 6: As novidades do tratamento e por que um homem com HIV pode ter filho sem transmitir o vírus