5 outubro, 2017

Arte que não é arte

Era da censura? O prefeito do Rio de Janeiro barrou a exposição ‘Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira’ porque fala sobre religião e diversidade sexual

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, barrou a chegada da exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira no MAR (Museu de Arte do Rio), na última quarta-feira (4/10). A gente não vai começar a falar sobre o conteúdo da exposição, e sim sobre o retrocesso que caracteriza esse ato. Estamos num momento crítico, em que o diálogo foi abandonado e os insultos ganharam as rédeas. Na última semana, o artista Wagner Miranda foi apedrejado verbalmente nas mídias sociais por ter sido visto sendo manipulado, sem roupa, por uma criança, durante uma perfomance no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Vale lembrar que do lado de fora da apresentação havia um recado sobre o conteúdo exposto.

Quando uma exposição – independente de seu conteúdo – é barrada, você tira o direito de alguém decidir se quer ou não ser exposto ao seu recheio. Entre quatro paredes, em frente a um computador, você tem o livre-arbítrio para decidir o quer fazer. Assistir um filme violento ou não, entrar num site pornográfico ou não, jogar o jogo da minhoquinha ou não. A escolha é sua.

A arte é e sempre foi uma forma de se conectar com conteúdos adversos de maneira lúdica. O artista se expressa. Você, por sua vez, recebe e se entrelaça da maneira que seu repertório pessoal – e intransferível – permite. Para tal, é necessário ser exposto ao material. Se você quiser, é claro. A escolha é sua.

“A população não tem o menor interesse em exposições que promovam zoofilia e pedofilia”, disse o prefeito se vangloriando de não permitir a chegada da mostra e nada mais que batendo palmas a algo não iniciado por ele, pois Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira é a mesma exposição censurada em Porto Alegre por conta de ataques conservadores. Crivella coloca em xeque religião e a diversidade sexual, assuntos considerados tabu e cada vez mais misturados. É de se revoltar que um estado que deveria ser laico, por meio da religião, se meta cada vez mais e aprofunde a desigualdade, a homofobia, o preconceito. Simples assim.

Caro prefeito, na vida é assim: tem vezes que precisamos ver, falar e discutir sobre coisas que não gostamos ou não concordamos. Fugir, reprimir ou apenas barrar algo por que aquilo não lhe agrada ou simplesmente pois é o caminho mais fácil não é a maneira mais madura de lidar com as coisas – e muito menos de permitir que as pessoas tirem suas próprias conclusões.

“Saiu no jornal que vai ser no MAR. Só se for no fundo do mar”, completou o prefeito. A gente topa fazer aulas de mergulho para conferir a exposição, Crivella. Antes molhados a perdermos completamente a liberdade de escolha – algo que está entrando em extinção por aqui.

Cruzando Jesus Cristo Deusa Schiva, de Fernando Baril.


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