1 dezembro, 2015

HIV sem mistérios

Efeitos colaterais dos medicamentos e até dúvidas de nossos leitores sobre o HIV. Leia aqui!

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Em nosso último especial do HIV, publicado em julho, leia aqui, um capítulo sobre interações medicamentosas gerou polêmica. Ele falava de algumas interações entre antirretrovirais e medicamentos e até mesmo ervas. É evidente que todo hábito deve ser discutido com seu médico, mas o que este site propôs foi uma discussão franca imaginando o remédio 3 em 1 mais usado por portadores do HIV – ele combina Tenofovir, Lamivudina e Efavirenz.

Na ocasião, esclarecemos de cara o mito dos anabolizantes ajudar, para o qual nos declarou Ricardo Vasconcelos: “Apenas em um estágio muito avançado da doença e com única finalidade os anabolizantes ajudam a recompor a massa muscular. À parte isto, não receitaria para nenhum paciente meu. Você já usa remédios que alteram o funcionamento do fígado e do rim, então por que tomaria bomba?”. Mas o post foi bombardeado de mais questões, e sabendo que cada caso é único, o infectologista Ricardo Vasconcelos volta ao tema. Confira!

Falaram que antirretroviral com álcool dá pancreatite…

Existem peculiaridades que são de cada paciente e estes pormenores devem ser discutidos com o infectologista. Uma pessoa que bebe e tem pancreatite não precisa do HIV para agravá-lo. Há uma combinação de um antirretroviral, o Ritonavir, que, para algumas pessoas, quando combinado ao ectasy, não faz boa interação. Odeio drogas, mas eu devo dizer que se um paciente meu usa ectasy, eu prefiro tentar com que ele tome outro antirretroviral a ter que criar mais uma dificuldade em seu tratamento. Um bom médico conhece seu paciente e não o julga, faz o possível para que ele possa aderir ao tratamento. Assim como tem gente que diz que o Viagra não pode, tem gente que nem sente e tem gente que sente com ou sem antirretroviral efeito colateral. Ou seja, cada caso é um caso.

E como um médico checa?

Até pacientes podem checar, baixe no IOS ou no Android o aplicativo Liverpool HIV iChart, ele dá todas as combinações e antirretrovirais. Não quer baixar? Dá pra usar também online – clique aqui. Lá dá para ver quais têm potencial de interação e quais combinações realmente são perigosas. Um exemplo? Rifampicina, um medicamento para a tuberculose, jamais pode ser misturado com o antirretroviral Atazanavir. A pessoa derrete.

Mudando de assunto, tivemos muitas perguntas sobre o perigo do sexo oral com o HIV. Existe?

Os trabalhos que avaliaram não conseguiram um resultado efetivo. Imagine que para você conseguir fazer um estudo disto teria que cooptar 10 mil casais sorodiscordantes e fazer com que eles, durante 10 anos, só fizessem só sexo oral. Então, missão impossível (risos). O que se diz é que é a probabilidade é “muito baixa”. O Ministério da Saúde Brasileiro, em um documento publicado em 2012, diz que o risco de transmissão de HIV pelo sexo oral é de 0 a 0,04%. E isso só vale para uma pessoa sem tratamento, claro. Ou seja, o Brasil considera que talvez não se transmita e que, na pior das hipóteses, um cara que não se trate e tenha carga viral alta, tenha 0,04% de chance de transmissão. Para pessoas em tratamento e com carga viral indetectável, não há possibilidade de contágio. Mas lembre-se, isso vale para o HIV e não para sífilis, gonorreia e outras que, sim, pegam-se facilmente pelo sexo oral.


Você está na parte 5 de nosso Especial sobre o HIV, leia as demais partes, é fundamental!

Parte 1: Especial UAA: precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: A verdade: portador do vírus do HIV indetectável não transmite o vírus

Parte 3: Por que você pode namorar um soropositivo e a vida de dois positivos juntos

Parte 4: Por que todos devem começar o tratamento ao serem diagnosticados com o HIV

Parte 5: Dúvidas dos leitores: do sexo oral a efeitos colaterais dos remédios contra o HIV

Parte 6: As novidades do tratamento e por que um homem com HIV pode ter filho sem transmitir o vírus