29 outubro, 2015

O amor discordante

Nova pesquisa inglesa ressalta que transar com meninos HIV’s positivos indetectáveis é até mais seguro do que sem proteção com caras que não conhecem sua sorologia. Entenda!

mattandcameron

Cameron Earnheart e Matt Schiermeir, Cameron não tem e Matt tem HIV. E são namorados há anos

Você faria sexo com um soropositivo? Não? Por que? A gente já falou desse assunto aqui antes – e todo o nosso especial sobre o HIV você confere nos links do pé desta matéria. E, na ocasião, o doutor Ricardo Vasconcelos, infectologista do Hospital da Clínicas e engajado no projeto Prep Brasil disse para Universo AA: “Atualmente se você não tem um parceiro fixo e você é gay, o melhor é você só transar com soropositivos de carga viral indetectável, em tratamento. O problema da epidemia é não conhecer sua sorologia”.

A declaração pareceu polêmica, mas muitos estudos não param de complementar sua afirmação. Não, não é o fim da camisinha, o meio mais seguro de prevenção, e nem se pode abrir mão dela – não é só o HIV que se pega sem ela -, mas é uma declaração que assinala que qualquer pessoa que esteja em tratamento e saiba de sua sorologia não transmite o vírus. Agora, um artigo publicado pela GMFA, uma instituição inglesa especializada na saúde dos homens gays, mostra novos dados para que reflitamos o preconceito com base em três mil respostas.

E já causa repercussão na Inglaterra, o jornalista Dan Beeson, do site Gay Star News, é um dos primeiros a repercutir o assunto por lá. E endossa a ideia de que este estigma contra os positivos tem que acabar. Em um relato emocionante, ele conta sobre a primeira vez em que transou com um homem HIV positivo com a carga viral indetectável. O que ele sentiu? Primeiro, medo. Mas ao confrontar mais dados de pesquisas, ele chegou à conclusão de que é mais fácil contrair o vírus transando sem camisinha com homens que desconhecem sua sorologia do que com um HIV positivo (mesmo que sem proteção), que faz o tratamento corretamente e tem a carga viral indetectável – seu relato você confere aqui.

E tem mais: noventa por cento dos gays soropositivos entrevistados pelo órgão disseram que a última vez que fizeram sexo, usaram camisinha. Dentre os que não conhecem a sorologia, esse número cai para 34%. O que se pode concluir? Homens com HIV têm ainda muito mais cuidado na hora do sexo do que homens que não tem consciência da sua sorologia.

São números que precisam ser divulgados, porque ainda segundo a mesma pesquisa, cerca de 44% dos soronegativos que responderam à pesquisa da GFMA não transariam com HIV’s positivos e, sendo assim, atrapalham a luta contra o vírus e outras DST’s. A principal dificuldade de quem tem essas doenças? O preconceito que sofrem por conviverem com elas.

Portanto, é claro que há exceções. Mas além dos dados científicos que atestam que soropositivo que se tratam e tomam remédios não transmitem o vírus, eles se preocupam e usam mais camisinha do que os que não possuem o vírus ou desconhecem a presença dele.

 


Leia também…

Parte 1: Precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: Truvada e profilaxias. O bê-á-bá do para se prevenir do HIV

Parte 3: Soroconcordante ou sorodiscordante? Por que você não precisa ter medo em se relacionar com um positivo

Parte 4: Os efeitos colaterais da medicação antirretroviral

Parte 5: Anabolizantes e outras coisas que um soropositivo deve evitar

Parte 6: A busca pela cura do HIV e um tapa no preconceito