1 dezembro, 2015

Há muita esperança

O HIV está da longe da cura esterilizante, mas novos medicamentos, a promessa de uma cura funcional e muita vida dão tapa no preconceito: você é homem positivo? Saiba que dá até para ter filho

260B2CF100000578-2967112-A_new_study_hailed_a_game_changer_by_experts_has_found_pre_expos-a-16_1424796934316 Estamos bem longe da vacina. Mas a cura funcional talvez esteja mais próxima, apostam os médicos que ela venha a ser viável entre cinco e dez anos. E o que ela é? É como imaginar uma herpes labial. O vírus está lá, mas não faz nada e a herpes desaparece do corpo. Os critérios para a cura funcional são a carga viral indetectável, a imunidade boa e a pessoa não transmitir o vírus para ninguém. E o principal: não tomar remédio todo dia. O próximo passo é que o remédio seja tomado trimestralmente, por exemplo. Precisamos falar sobre o HIV e falar dele abertamente. Enquanto isso, conversamos com Ricardo Vasconcelos sobre as novidades do tratamento.

Existe algo realmente novo?

Tem sim! O dolutegravir, que é uma espécie de Ferrari dos medicamentos, acaba de ser incorporado ao Ministério da Saúde no Brasil. Ele está chegando para quem tem um vírus muito resistente. Também não tem efeitos colaterais significantes. É uma boa notícia. Quando cair o preço, talvez em uns sete anos, ele certamente estará disponível para todos.

Então, um positivo tem muita vida, certo?

Claro, tem vida e pode até criar vida, como ter um filho, por exemplo.

Um homem positivo pode ter filhos livres do HIV?

Sim. No caso de um cara com HIV, ele pode sim, ter filhos. E eu incentivo isso. A primeira coisa que ele tem que fazer é zerar sua carga viral. Ele não vai transmitir nada para a mãe e consequentemente para seu filho. E seja qual for a opção do cara: transar com uma mulher, tê-lo de proveta… Se ele for hétero ou gay e quiser ter com mulher, a garantia para ela, segundo recomendação do Ministério da Saúde, é que ela também tome Pep. Precisa? Não. Mas assim todos ficam seguros. Afinal, o homem não passa para o filho, isso só acontece se a mulher tiver sido infectada também. Com carga viral indetectável e Pep na mulher, nada acontece. Mas vale uma curiosidade: quando uma mãe com HIV tem um filho, os anticorpos dela passam pela placenta para o bebê, o que não significa que o bebê tenha HIV, mas se for feito um teste rápido nele antes dos 18 meses de vida, ele vai vir positivo. Há enormes possiblidades de o filho dela não herdar o vírus se ela estiver em tratamento, indetectável e o bebê for medicado corretamente com a profilaxia recomendada pelo Ministério da Saúde.


 

Você está na parte 6 de nosso Especial sobre o HIV, leia as demais partes, é fundamental!

Parte 1: Especial UAA: precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: A verdade: portador do vírus do HIV indetectável não transmite o vírus

Parte 3: Por que você pode namorar um soropositivo e a vida de dois positivos juntos

Parte 4: Por que todos devem começar o tratamento ao serem diagnosticados com o HIV

Parte 5: Dúvidas dos leitores: do sexo oral a efeitos colaterais dos remédios contra o HIV

Parte 6: As novidades do tratamento e por que um homem com HIV pode ter filho sem transmitir o vírus