12 novembro, 2015

A proteína nossa de cada

O uso do whey protein é considerado por muitos indispensável. Mas a menos que você busque comodidade, saiba que, sim, ele é substituível – e dispensável

Man drinking protein shake

Parece que ninguém mais duvida dos benefícios da proteína do soro do leite, que ficou tão famosa que só a chamamos assim: de whey protein, em inglês mesmo. É fato inconteste, o whey tornou-se um dos suplementes difundidos no mundo todo, seja na área esportiva ou na nutrição geral.

Em cima disto, o marketing feito em cima dele também não poderia ser pequeno. Anualmente inúmeros milhões e bilhões de reais são investidos em novas fórmulas, tecnologias, propagandas, divulgações, contratação de atletas e garotos-propaganda. Mas será que não estamos alienados diante de tanta informação e gastando sem necessidade? Neste site, um post que indicava dez alimentos para substituir seu whey protein – veja aqui – é um dos mais comentados.

Ele é apenas um indicativo para uma resposta óbvia: a menos que você goste da praticidade dele, ele é sim, substituível – isto se a quantidade de proteínas que você precisa já não esteja em sua alimentação. Sabendo que ele não costuma ser também barato, pense: você não está condenado a não ter bons resultados no ganho de massa muscular se não usá-lo. Certo?

Scoop of chocolate whey isolate protein in black plastic containter

A verdade é que…

Como todo mundo sabe, o whey é a proteína isolada do soro do leite e com um valor biológico excelente: 100. Ou seja, 100% do que é ingerido, é absorvido pelo nosso corpo. Uma dose geralmente possui 24g de proteína. Até aí não tem nenhuma novidade para ninguém. Porém, você já parou para pensar como isso é facilmente substituível por alimentos? Por exemplo: três claras de ovo + dois ovos tem 21 gramas e meia lata de atum 17.5 gramas. Apenas esse exemplo lhe daria 38,5 gramas de proteínas e mais uma infinidade de micronutrientes essenciais e com valor biológico médio de 88. Interessante, não?

Então vamos lá: vários estudos médicos demonstram que muito mais que o suplemento usado, o ambiente proporcionado ao corpo, sua dieta, seu sono, o treino e seus métodos, além dos fatores relacionados a genética e fenótipo do indivíduo determinaram mais fortemente o ganho muscular. Os pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, por exemplo, apostam no leite com chocolate depois de um treino pesado, para um desempenho aprimorado de atletas, em ganho de massa e performance. Não é balela, se você quiser lê-la melhor, em inglês, basta clicar aqui. Mas o resumo é: de acordo com a pesquisa, apresentada em um dos principais congressos de medicina esportiva do mundo, a Conferência Anual do Colégio Americano de Medicina do Esporte, realizada na Flórida, diz que funciona melhor que o whey, isotônicos e afins. E vai, é bem barato.

O que pouca gente ousa falar é que o whey protein é facilmente substituível através da alimentação. E pode-se manter assim um aporte proteico de qualidade e o melhor: agregando ainda mais valor à dieta por conta dos micronutrientes. Sendo assim, a conclusão é, repito: embora seja um suplemento de extrema qualidade, ele é facilmente substituível e não uma obrigação em todo plano alimentar como 99,9% das pessoas pensam.

Gostaria de ressaltar também que é importante ler os métodos utilizados nos estudos. Se um pesquisador vai estudar dois grupos de atletas e dá 60 gramas de proteína a mais/dia para um grupo,– e não dá para o outro – “é óbvio que o grupo “proteinado” vai ter melhoras físico-metabólicas mais relevantes, mas isso independe de a proteína ter vindo do suplemento ou da carne”, como esclarece o brasileiro Alexandre Miranda, pesquisador Assistente do Massachusetts General Hospital of Harvard Medical School.

Concluindo…

O whey é uma ótima fonte proteica de altíssimo valor biológico e que auxilia no ganho de massa muscular, mas, apesar de toda sua funcionalidade e de ter resultado efetivos, ele está longe de ser um suplemento milagroso e, assim como a maioria dos suplementos – a não ser em casos de pacientes doentes, claro – ou de que você queira praticidade e realmente tenha identificado carência de proteínas em sua alimentação, ele é, sim, dispensável. Estamos combinados?


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