26 outubro, 2016

O Poder do Afeto

A Lab, de Evandro Fióti e Emicida estreia na São Paulo Fashion Week com modelos plus size e casting lindo de negros. Mas não é moda de nicho, não. É para todos – e pra lá de agregadora

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Os tempos andam bicudos. Espera-se da moda que, em períodos assim, cumpra seu papel primordial: traduzir no estilo aquilo que acontece e que, com sorte, seja ela um dos instrumentos transformadores e pensantes da sociedade.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Nem sempre isso ocorre, mas foi o visto na estreia da Lab, de Evandro Fióti com o rapper Emicida, com a ajuda do brilhante estilista João Pimentao único que dedica seu talento exclusivamente aos homens no evento – na São Paulo Fashion Week.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Seu Jorge na passarela

E por quais motivos a Lab merece nossos aplausos? Por muitos. Única marca capitaneada por negros do SPFW, ela se atreveu a levar um casting (quase) inteiro de negros às passarelas – isto sem contar meninos de tipos normais ou tamanho plus size.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

O melhor? A moda era boa, e já pode ser comprada online no site da marca – no melhor conceito de que tudo que é fashion não tem mais estação, é ver e usar.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

A Lab é prova de que temos um streetwear brasileiro, aqui com pegadas africanas e até referencias nipônicas: quimonos foram inspiração e teve até saia plissada na passarela, usada, deve-se dizer, pelo cantor Seu Jorge.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

E aí você pensa, mas é moda para negros? Eis um erro que não se pode cometer – afinal, se assim fosse, negros não poderiam comprar a moda que, em geral, vemos por aí: de brancos, não é mesmo?

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

A mensagem principal é clara: é tempo de inclusão. Mas sobretudo, e acima de falar de preconceito, é hora de agregar, de juntar, de incluir. Sim senhor. E foi isso que Emicida contou para este jornalista: “A gente tem que parar de falar de lutar contra o racismo ou homofobia. As pessoas precisam é ser ouvidas. A gente precisa é de afeto”.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

E haja afeto! Como se vê no desfile com as mãos soberbas do stylist Thiago Ferraz, há peças conceituais – as jaquetas com alças, que podem ser usadas como se fossem um mochila, são incríveis – que serão fabricadas em menor quantidade. Mas tem ainda muita roupa com preto, com estampa africana, grafismo, tamanhos gigantes, e dá-lhe sarja e algodão.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

É tipo assim, tem calça sequinha e calça larguinha, bermuda ótimas, moletons soberbos e capuz maiores ainda. Na edição do desfile, podem parecer montação. Mas não são: isolados, ajudam qualquer corpo, de qualquer peso, seja qual for sua pegada.

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Conclusão: é moda inclusiva. E melhor será se ela não for compreendida como um passo da glamourização das vozes de rua. Porque ela não é. E o que ela é? O retrato de um Brasil que tem moda autêntica e boa. É impossível deixar de vestir essa mensagem. Melhor ainda se você vestir o afeto em sua alma.

 

 

LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE


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