30 junho, 2015

O pote de ouro

Reza a lenda que no fim do arco-íris há um tesouro. Seria ele a liberdade?

US Supreme Court Gay Marriage Texas

No Texas, George Harris, 82, e Jack Evans, e 85, se casaram na última sexta-feira

Desde que o Facebook ofereceu a tal ferramenta que trocava as fotos de perfil de seus usuários em apoio ao casamento gay nos Estados Unidos não param de pipocar teorias. Afinal, foram 26 milhões de pessoas que aderiram a modinha que deixou todos mais coloridos. Mas houve também aqueles que não gostaram da campanha e bradaram por aí não entender tamanha comoção. Os argumentos? Muitos deles pífios e tão rasos que nem valem aqui uma defesa. Na verdade eles são indefensáveis. Ponto final.

E por quê? Porque alguns diziam que não entendiam a comoção dos brasileiros. Pois aqui o casamento gay foi legalizado antes. Verdade. Mas a história não é bem assim. Vamos ser claros? A gente vive uma onda de homofobia, não essa homofobia antiga – mas aquela fundamentalista, retrógrada, que parecia superada e, do nada, parece ter voltado com tudo. Acredito que é preciso ir além e parar com a típica pequenez de que nós queremos copiar tudo que é feito lá em cima. Oras, a Espanha comemorou 10 anos de legalização das uniões homoafetivas e nem por isso deixou de reiterar seu direito do casamento igualitário – assim como as mulheres lutaram pelo feminismo e até hoje o defendem.

Como se provou com empresas provenientes de qualquer nação que reconheça estes direitos, o arco-íris surgiu. Os mais simplistas disseram que a rede social iria agora saber quem nos apoia ou ousaram trocar a imagem de seu perfil por uma com crianças esquálidas passando fome na África – diziam que, se convocados para esta causa, a adeririam. Balela! Desde que eu era adolescente inúmeras campanhas contra a fome são realizadas – ou você não se lembra de Michael Jackson bradando We are The World, em 1985? Basta se juntar a elas.

Os países que mais sofrem com a fome não possuem um quesito básico em suas normas fundamentais: a liberdade. E como li por aí: o arco-íris é um fenômeno raro, raríssimo. Que deve ser apreciado porque causa um sorriso instantâneo. O recalque e chacota muitas vezes apenas disfarçam o preconceito. Ninguém te cobrou militância, mas a liberdade e a igualdade, bem, elas são primordiais.