4 janeiro, 2016

Sequestro do coração

A história de Beto Ribeiro e Aruay Goldschmidt começou num encontro ao acaso e ainda não terminou seus muitos encontros marcados

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Aruay e Beto: juntos há quase 12 anos

Na primeira seção In Love de 2016, dois meninos AA que este site venera – Beto e Aruay – contam pra gente que não se controla um destino e como uma viagem inesperada pode ajudar a definir uma relação. E ainda explicam por que a lealdade é a força que os move. Inspire-se!

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Beto Ribeiro, 42, roteirista, diretor e produtor executivo de televisão

Aquela véspera de feriado de 9 de julho estava perfeita para ficar em casa assistindo DVD. E, em 2004, infelizmente ainda não existia Netflix – ou seria felizmente? Chovia uma chuva fina que não parava. Pela vista de minha janela o relógio do Conjunto Nacional, em São Paulo, marcava 9 graus. Eu tinha acabado de voltar a morar em Sampa depois de dois anos na capital carioca, e o frio, naquele inverno, para mim, parecia ainda mais gelado.

Abri uma garrafa de vinho e montei meu cenário perfeito para brindar meu retorno à minha cidade natal: Sex And The City – nada ainda de Game Of Thrones – esperando o play com um bom edredom no sofá da sala. Quando ia dar meu primeiro gole de vinho tinto, uma amiga, a Dani, ligou, avisando que não aceitaria eu não ir com ela a um bar de meninas no Itaim que nem sei se existe mais. Olhei para a casa me pedindo para ficar. Mirei para o relógio e pensei que daria tempo para eu ir e voltar sem prejudicar meu encontro com Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte.

Literalmente coloquei a primeira roupa que vi e não me preocupei muito com nada – afinal, era um bar de garotas… Não era uma noite para encontros inesperados. Assim eu imaginava que seria o enredo da história. E como me enganei – e graças a Deus e à Dani, como me enganei! 

Chegando ao lugar e tive certeza que eu devia ter ficado em casa. A chuva já era mais intensa e obrigava a todos que lá estavam buscarem abrigo na parte interna do bar – o mais legal desse local era a área externa. Vi Dani, fui até ela já como texto pronto: “daqui a pouco vou embora”. Chegamos, bebemos, rimos e quando já me despedia dela, Dani avisou: “Olha para trás”. Era o Aru chegando. “Para de conversar comigo e vai falar com ele que ele não para de te olhar”. Não acreditei porque não achava mesmo que tinha chamado a atenção do moço bonito. Mas… Aru veio falar comigo e, hoje, às vésperas de completarmos 12 anos juntos, continuamos conversando e rindo juntos. Talvez esse seja o maior segredo da nossa união: o prazer de nos divertimos a dois.

Já foram dezenas de viagens, inúmeros momentos de boa bebida e boa conversa. Estar com Aru é como ir para Paris: nunca é igual, sempre é novo e encantador. Construímos uma casa juntos, escolhemos nossa gata – a Odete Roitman – juntos. Todos os dias abrimos nossa garrafa de vinho e falamos de tudo, o tempo todo. A lealdade – não confundir a palavra lealdade com fidelidade – entre nós é nossa mola motriz. Aru é o primeiro a me aplaudir e o primeiro a estar ao meu lado quando mais preciso. E faço o mesmo por ele. Sem competição, sem segredos ou mentiras, conseguimos nos renovar sempre. Temos um combinado: vamos ficar lado a lado enquanto for bom para os dois, enquanto for divertido, sem qualquer dependência. E não vejo como isso pode acabar – espero que ele também não. :) 

Os momentos marcantes? Diria que todo momento consegue ser único, não conseguiria escolher um em detrimento do outro. Sou libriano. Mas apontaria aquela segunda-feira comum, quando chego em casa e tomamos nosso vinho do dia ouvindo Reinaldo Azevedo no rádio. Depois jantamos – Aru é um chef incrível – e seguimos para a sala de TV para escolher alguma série no Netflix. Pra que mais? A vida é simples, interessante, real. Claro que Roma e Nova York também são e o glamour é sempre o glamour. Mas o dia-a-dia é que tem que ser bom, afinal, somos uma equação do cotidiano. Como sempre falo pro Aru: “adoro essa nossa vida com expectativa de classe média”. E que essa vida nunca acabe. Tim-tim!

 

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Aruay Goldschmidt, 36 anos, engenheiro agrônomo 

No dia que nos conhecemos não era para nos encontrarmos. Pelo menos não naquela noite da virada de 8 para 9 de julho. Eu tinha acabado de me mudar para Campinas e não estava nos meus planos entrar numa relação séria. 

Fui para um bar de meninas muito sem querer, quando uma amiga distante me convidou para o aniversário dela. Tinha chegado de viagem, mas sem muita vontade de ficar em casa. Aceitei o convite somente para ir beber alguma coisa, ver pessoas e voltar cedo para ir jogar tênis no clube no dia seguinte. Só que a gente não controla muito o destino.

Cheguei no lugar e dei de cara com o Beto. Lembro que o achei bem interessante, mas achei que ele estava acompanhado, já que conversava com uma mulher e um homem – mais tarde descobri que era um amigo da amiga e nada mais. Fui até ele e nunca mais deixei de ir. Depois de 11 anos juntos, continuo indo. 

Temos muitos momentos marcantes. O primeiro é quando Beto me ‘sequestrou’ para a Europa. De repente, ele me levou para o aeroporto e descobri que passaríamos uma semana em Roma. Adorei tudo, a surpresa e a viagem. Naquele momento, decidi que jamais deixaria que o namoro acabasse. Namoro que virou casamento, outro momento que nunca vou esquecer: casamos de papel passado, escolhemos nossa casa em Higienópolis, encontramos nossa gata, a Odete Roitman.

Adoro estar com ele, adoro nossas viagens, nossas reuniões familiares – tanto a minha como a família dele. O que mais gosto? De rirmos juntos, e como rimos juntos! Beto é minha melhor companhia, meu melhor amigo, meu melhor parceiro. E não é isso, afinal, que procuramos a vida toda? Que bom que achei cedo, aos 24 anos. Que bom que ainda temos muitos, muitos anos de vida juntos – e que não acabe nunca. :)


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