19 setembro, 2017

Seu amor nos pegou

Ela chegou e sempre esteve pronta para atacar. O nosso papo com a mulher (e o homem!) do ano, Pabllo Vittar

Assim, de repente (não para ela), surge alguém nos holofotes que não poderia representar melhor o Brasil. Ela é alegre, tem hits que não saem da cabeça, fala de diversidade e levanta a bandeira para a liberdade de expressão. Não haveria outra pessoa para estar em ascensão se não Pabllo Vittar. Afinal, no país onde mais se mata homossexuais no mundo (ainda é um fato), há uma drag queen roubando a cena e que nos defende, tanto que foi das primeiras a se manifestar contra a legalização de terapias cura gay. Simples e direta postou: “Não é doença”.

Não, não é. E Pabllo é maravilhosa. Goste ou não, precisamos de exemplos como Pabllo.

No último final de semana, ela fez o que seria um pocket show no Rock in Rio. Quem estava lá, sabe o alvoroço que ela causou. “Pabllo Vittar está aqui!”. Pessoas correndo de todos e por todos os lados para chegar o mais próximo possível do pequeno palco que hospedava Pabllo. Era para ser pequeno, mas a massa que pipocou em frente a nova musa era enorme – quem estava do meio pro final da multidão, mal escutava a voz dela. No outro dia, foi a vez dela fazer rasante durante o show da Fergie. A plateia foi ao delírio. Nem a própria Fergalicious pareceu entender o poder daquela figura alta que estava no seu palco.

// 🤘🏽✨🇧🇷

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Phabullo Rodrigues da Silva assim, sem querer, já tem a gente na sua mão. E também carrega consigo a voz daqueles que ainda são vistos como minoria. “Sempre que alguém me fala isso sinto um frio na barriga e uma responsabilidade gigantesca nas minhas costas”, diz. Só que isso não a impede de continuar lutando e inspirando todos os tipos de pessoas. Durante a nossa entrevista, ela fez questão de dar um toque para as crianças que sofrem algum tipo de bullying na escola. “Fiquem fortes e denunciem essa prática horrível tão comum na nossa sociedade”, pontua.

“Sempre busquei meus sonhos e briguei por eles”, disse sobre o pequeno – se é que algum dia ela já foi pequena – Phabullo. E também retoma isso em “K.O.”, um dos primeiros hits a garantir primeiro lugar nas listas das rádios e do spotify, do álbum Vai Passar Mal. Segundo a música, ela sempre foi guerreira. A gente não tem dúvida disso, Pabllo. Quem nocauteou, tonteou e decretou K.O., no Brasil, foi você.

Pabllo durante o Pocket (que não foi tamanho de bolso) durante o Rock in Rio 2017

Você é o grande nome da nova geração. Quem era o Phabullo quando criança?

Eu sempre fui sonhador e determinado! Sempre busquei meus sonhos e briguei por eles. Hoje consigo viver tudo que sonhei na minha infância e sou muito feliz por isso.

Ainda sobre o seu passado, conta um pouco da relação com a sua família – sua mãe e as duas irmãs.

Temos uma relação ótima e sempre nos demos muito bem, Minha mãe é uma super guerreira e minhas irmãs também.

Você se lembra quando percebeu que era gay?

Todo mundo tem o despertar da sexualidade no comecinho da adolescência, né? Comigo não foi diferente.

Como foi o retorno da sua família e amigos quando se assumiu?

Supertranquilo.

Sofreu muito bullying na escola? Pode dividir algum caso?

Sofri sim. Hoje vivemos em uma sociedade que não aceita as diferenças. Mas acho que não precisamos mais dividir algum caso específico e sim dizer pra todas as crianças que fiquem fortes e que denunciem essa prática horrível tão comum na nossa sociedade.

Tem alguns vídeos de você cantando músicas de divas como Beyoncé e Whitney Houston. Eles são suas inspirações musicais?

Claro, algumas delas! Mas essas duas em específico são superícones da música, né?

Foi com elas que você aprendeu a cantar?

Também, mas muitas bandas e artistas nacionais também, principalmente os do norte/nordeste do país.

Quem mais serve de inspiração?

Seria uma lista muito grande, mas de Rihanna a Companhia do Calypso. Se você prestar atenção ao seu redor percebe que tudo é inspiração, qualquer som, cor, imagem e atitude de outra pessoa serve como inspiração pra mim.

Fizeram muitas comparações entre você e o Ney Matogrosso. Você o admira?

O Ney é um dos maiores artistas do país e é claro que eu o admiro.

Quando, como e por que começou a se montar?

Quando assisti a Ru Paul´s Drag Race pela primeira vez, há alguns anos! Me apaixonei por essa arte maravilhosa.

Você é drag queen. Nunca pensou em virar mulher?

Sou Drag e não transexual.

Você está servindo de inspiração para a comunidade LGBT no Brasil e no mundo. Como você se sente sendo uma bandeira da nova geração?

Sempre que alguém me fala isso sinto um frio na barriga e uma responsabilidade gigantesca nas minhas costas, mas espero que as pessoas comecem a se respeitar mais, independente de raça, religião ou sexualidade.

Qual é a sua mensagem para quem está se assumindo gay agora ou para quem gostaria de se transvestir mas tem medo?

Seja você sempre, não se esconda e, se for preciso, busque ajuda.

Você compõe? Como foi a criação de seus maiores hits (“Open Bar”, “K.O.”, “Na Sua Cara” e “Corpo Sensual”)

Eu componho, mas de todas essas músicas é importante dizer que compus apenas Open Bar, que foi uma desabafo para um ex. Amo o processo de composição, mas infelizmente hoje não tenho muito tempo pra compor.

Sua carreira está num gráfico de sucesso – aliás, já virou um grande case de sucesso. Além do próprio suor inegável, quais outras figuras foram determinantes para esta ascensão?

Além da minha família, que me dá um suporte incrível, tenho uma equipe maravilhosa. Meus empresários, Leocádio, Gorky e Yan são a minha base pra poder fazer tudo que amo sempre.

Então você é a mais nova Sony Music. O que isso significou para você?

Um superpasso na minha carreira e uma conquista gigante, acho que sou a primeira drag a assinar com uma gravadora no Brasil.

Já estão falando de você fora do Brasil. E a carreira internacional, hein?

Acho que o mais importante é ser natural, então estou aberta sim a uma carreira internacional, mas meu foco maior são sempre meus fãs, que me dão suporte e amor o tempo todo. Então se acontecer vai ser incrível, mas o mais importante é ser verdadeira comigo e com meu fãs.

Como vê a sua carreira daqui a 10 anos?

Gosto sempre de viver o momento, mas espero estar no palco, fazendo um tour incrível e com meus fãs perto de mim sempre.

Como alguém que consolidou uma carreira em pouco tempo, tem algum conselho para quem está começando?

Seja verdadeiro consigo mesmo sempre!


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