30 agosto, 2017

Faz seis meses que estou tomando Truvada

O que mudou em minha vida desde que comecei a tomar Truvada há seis meses?

Faz exatamente seis meses que coloquei o primeiro comprimido de Truvada goela abaixo (quer lembrar os motivos? Clica aqui!). Confesso que nos primeiros dias fiquei bem preocupado com efeitos colaterais – não por ser essa pílula especificamente, mas pelo simples fato dela ser uma droga. Meu pai é médico, daquela linha que o uso de remédios é sempre a última opção. “Seu corpo sabe o que está fazendo”, dizia ele quando eu era criança e ficava doente. Então ingerir uma droga diariamente era relativamente assustador para mim nas primeiras semanas. Felizmente, meu corpo reagiu bem à profilaxia, não tive quaisquer reação.

É claro que, junto com a pílula, ganhei um novo compromisso: a visita regular a um infectologista. Não é conversa para boi dormir, é a mais pura necessidade. Acho que desde que comecei a fazer uso da profilaxia, fiz ao menos quatro check-ups gerais. Descobri até que eu precisava dar um reforço à vacina de Hepatite B. Por mais que havia tomado as doses necessárias quando era mais jovem, os exames de sorologia provaram que meu corpo não estava imune – agora, após mais uma dose da vacina, está. Ufa!

Olha que curioso: eu não tive nenhuma alteração preocupante nos resultados dos exames, mas meu melhor amigo – que começou a tomar Truvada na mesma época que eu – foi aconselhado a parar de tomar whey. O nosso infectologista percebeu resultados muito divergentes no exame atrelado ao rim – aparentemente ambos demandam bastante do órgão. Meu amigo preferiu suspender o suplemento proteico à parar de tomar o remédio. Essa foi a única alteração na rotina dele: a troca do whey por diversas gemas de clara. No meu caso, isso não foi uma questão, não precisei mexer na minha dieta.

Como eu disse na primeira vez que colaborei com este site, a minha vida sexual era – e continuou sendo, aleluia! – bem ativa. Você deve estar pensando que abandonei a camisinha, né? Nada disso. Todas as vezes que olho nos olhos do meu infectologista, ele diz a mesma coisa: “prevenção combinada, menino!”. E tenho tentado manter desta forma. Mas não estou aqui para mentir. Aconteceu uma vez de a camisinha romper no meio do ato. No auge de tesão, nem pensamos em parar. E não paramos. Fomos até o final. Não vou fingir puritanismos e nem fazer apologia ao sexo sem camisinha – eu mesmo uso preservativo. Mas verdade seja dita: eu, sim, me senti mais seguro por estar tomando a pílula.

Quando visitei o infectologista pela primeira vez depois desse ato, levei uma bronquinha – pois é, já criamos esta intimidade (ele já me viu pelado algumas vezes, ora pois!). Eu já estava esperando por isso. Ele me lembrou de todas as outras doenças sexualmente transmissíveis e como eu só estava imune ao HIV. Ainda bem que meus exames não apontaram alguma delas, mas não é o que acontece sempre. O doutor me contou que diversos de seus pacientes já apareceram no consultório com sífilis, gonorreia e diversas outras doenças.

Ah, lembra que eu falei que gelava todas as vezes que fazia teste de HIV? Bom, pelo menos isso posso garantir que superei. Faz seis meses que este exame específico não me assusta. E tenho certeza que permanecerá assim enquanto eu mantiver o uso da profilaxia.


Leia mais…

“Por que eu comecei a tomar Truvada?” – o relato de um jovem ao UAA

HIV e Truvada: os cuidados que você precisa ter

Você faria um teste de farmácia para o HIV?

Por que se evita falar sobre o HIV para a população LGBT no Brasil?

Você acredita que ter um parceiro fixo protege contra o HIV?


Aproveite e leia nosso especial sobre o HIV!

Parte 1: Especial UAA: precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: A verdade: portador do vírus do HIV indetectável não transmite o vírus

Parte 3: Por que você pode namorar um soropositivo e a vida de dois positivos juntos

Parte 4: Por que todos devem começar o tratamento ao serem diagnosticados com o HIV

Parte 5: Dúvidas dos leitores: do sexo oral a efeitos colaterais dos remédios contra o HIV

Parte 6: As novidades do tratamento e por que um homem com HIV pode ter filho sem transmitir o vírus