19 março, 2015

A mudança chegou. E já está na hora de encará-la de frente

Vamos amar? Os tempos atuais parecem livres e as novelas já mostram os gays sem máscaras. Mas o que acontece com parcela da sociedade que parece ainda mais impiedosa?

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Os tempos mudaram. A família mudou. Embora muitos insistam em fechar os olhos para o progresso é inerente que, em algum momento, ele será esfregado na sua cara e, então, fica muito difícil ignorá-lo.

Deve ser por isso que tantos se esforçam em negá-lo, em oprimi-lo, numa tentativa desesperada de sufocar a mudança. Meu caro, é impossível! A mudança já chegou e não há mais nada que você possa fazer.

Quer um exemplo? Pergunte pra sua vó se, no tempo dela, alguém poderia imaginar que um dia duas senhoras apareceriam se beijando no horário nobre da maior emissora do País. Nem precisa ir tão longe, tanta “modernidade” seria impensável também no tempo dos nossos pais. No entanto, hoje, quem liga a TV na novela das 21h da Rede Globo – a recém-estreada “Babilônia” – pode, a qualquer minuto, se deparar com um beijo apaixonado entre as personagens das atrizes Fernanda Montenegro e Nathália Timberg. E não é lindo? Não é lindo de se ver uma obra de ficção contando a história de um amor profundo, duradouro, que só cresce a cada obstáculo, seja ele da forma que for?

Foto: Reprodução/Jornal Extra

Foto: Reprodução/Jornal Extra

E agora você pensa, se já é difícil da sociedade aceitar um casal entre pessoas do mesmo sexo, imagine quando esse casal quer – como qualquer outro – multiplicar esse amor em uma família?! Aí a casa cai!

Se nem mesmo os mais liberais aceitam – olá, Dolce & Gabbana – como será possível fazer os mais conservadores aceitar?

Por isso é tão importante ter uma obra com o alcance da novela das 21h escancarando para quem quiser ver que: se houver amor, há família! E ponto.

É claro que não esperamos que os conservadores se entreguem sem lutar. De maneira alguma. Já existe um pedido boicote à nova novela rolando solto nas redes sociais. A Frente Parlamentar Mista Permanente Em Defesa da Família Brasileira pede, encarecidamente, que seus apoiadores não assistam à novela que veio para “destruir os valores da família brasileira”. Sim, amigos, eles querem que vocês percam o embate do século entre Carminha e Maria de Fátima por causa de alguma bitocas entre duas senhoras. Dá pra entender?

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Mas, para mim, o pior de tudo não é um bando de fanáticos tentando boicotar uma novela através do Facebook, mas, sim, o bando de fanáticos que está lá no Congresso Nacional – também conhecidos como bancada fundamentalista – que estão tentando fazer com que suas ideias arcaicas virem lei. Sim! Eles querem botar no papel que uma família só terá seus direitos assegurados se for formada por uma homem e uma mulher (vote contra aqui). Acoooordem! O mundo mudou, senhores congressistas!

A mudança está aí! Está no horário nobre da Rede Globo cheio de personagens homossexuais; está no time de celebridades e anônimos que se juntaram para boicotar uma marca que não aceita a diversidade; está na própria justiça que, a passos de tartaruga, vai proporcionando à comunidade gay pequenas vitórias que engrandecem a luta pela igualdade. A mudança está em cada minuto que você se enxerga no seu diferente; em cada momento que você enxerga o mundo sem preconceito, sem rótulo.

Para refletir, sendo gay ou não, fica a história que um leitor compartilhou com a gente. O jovem Lucas Vasconcellos, de Porto Alegre, decidiu tomar coragem e contar ao irmão caçula sobre sua orientação sexual: “Sabe o nome que se dá a quem gosta de pessoas iguais, John? Homens que gostam de outros homens, e mulheres que gostam de outras mulheres?”, preparando-se para dizer a temida palavra “gay” ao pequeno, eis que a criança de apenas oito anos responde o óbvio: “Amor”.

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