23 fevereiro, 2017

Por que eu comecei a tomar Truvada?

O relato de um jovem na casa dos 20 anos sobre os motivos que o fizeram dar start ao Truvada, Profilaxia Pré-Exposição

Eu sou bem responsável quando o assunto é sexo. Não ao ponto de fazer sexo oral com camisinha, mas penetração sem preservativos não era algo que eu fazia corriqueiramente. Mesmo assim, fazer o teste de HIV – aqueles testes rápidos, cujos resultados saem em 40 minutos – eram um pesadelo para mim. Que atire a primeira pedra, ou agulha, aquele que não sofre antes de ver o resultado de um exame médico. A história sempre se repetia. E eu acredito que se repete muito mais do que admitimos para os amigos – e às vezes até para nós mesmos…

Sendo jovem, na casa dos 20 anos, posso dizer que tenho uma vida sexual ativa. Bem ativa, obrigado. E apesar de prezar por parceiros próximos (nem sempre!), aqueles que julgo (?) conhecer bem, a verdade é que a gente nunca sabe o que as pessoas fizeram entre quatro paredes no passado.  E quem sou eu pra julgar, visto que o outro também não sabe o meu, não é?

Lembro de uma vez que conheci um boy muito gato no aplicativo. Ele tinha um corpo digno de David, de Michelangelo, e guiava como um Deus grego na cama. No furor do tesão – e no ápice da ação – fizemos sem preservativo. Foi um delícia. Fazia anos que não trepava daquele jeito. Cinco minutos depois, o suor do coito havia se tornado em transpiração de desespero. “O que fizemos?”. A cagada já havia sido feita.

Além de ser um furacão na cama, o dito-cujo David de Michelangelo também era educado. Ele concordou em fazer o teste-rápido comigo no dia seguinte. Afinal, se o resultado de qualquer um de nós desse positivo, o outro teria todo o direito – e o dever – de tomar PEP (Profilaxia Pós Exposição Sexual). O final da história é feliz: o resultado de ambos foi não reagente.

Só que esse foi só um episódio. Não podemos ser hipócritas: às vezes fazemos cagadas. Eu poderia mentir, dizer que todas as relações sexuais que eu fiz em minha vida foram com camisinha – inclusive sexo oral. Falácia. E se é para a falar a verdade, então vamos lá: sexo oral com camisinha me tira o tesão. Não gosto.

De uns tempos para cá, comecei a pesquisar mais e mais sobre o Truvada, o famoso remédio de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Descobri que as chances de contrair o vírus do HIV tomando com regularidade os comprimidos era praticamente nula – só existem duas pessoas, dentre as milhões que estão tomando o remédio, que contraíram o vírus. Resolvi ir atrás do remédio. E neste mês de fevereiro tomei o primeiro comprimido.

Sei que o melhor tipo de prevenção pro HIV é a prevenção combinada, ou seja, juntar diversos métodos antes, durante e depois da relação sexual. Verdade seja dita: independente do que as outras pensem, eu já me sinto muito mais protegido. Se eu vou gelar na hora de fazer o próximo teste de HIV? Isso já é cena para o próximo relato…


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Aproveite e leia nosso especial sobre o HIV!

Parte 1: Especial UAA: precisamos falar sobre o HIV

Parte 2: A verdade: portador do vírus do HIV indetectável não transmite o vírus

Parte 3: Por que você pode namorar um soropositivo e a vida de dois positivos juntos

Parte 4: Por que todos devem começar o tratamento ao serem diagnosticados com o HIV

Parte 5: Dúvidas dos leitores: do sexo oral a efeitos colaterais dos remédios contra o HIV

Parte 6: As novidades do tratamento e por que um homem com HIV pode ter filho sem transmitir o vírus