10 junho, 2014

Vida nova para o Museu da Diversidade Sexual

O Casarão dos Franco de Mello, na Av. Paulista, será sede no museu que trabalha para manter a memória da comunidade LGBT do Brasil

Casarão dos Franco de Mello - Foto: Reprodução

Casarão dos Franco de Mello – Foto: Reprodução

Um dos últimos casarões remanescentes na Avenida Paulista será a nova sede do Museu da Diversidade Sexual. O anúncio foi feito durante a Parada LGBT – que aconteceu no começo do mês de maio, em São Paulo – pelo governador Geraldo Alckmin.

O Casarão dos Franco de Mello, localizado no número 1.919, é tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e estava sofrendo pela falta de manutenção nos últimos anos. Segundo o Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Mattos Araujo, “a Procuradoria Geral do Estado já entrou com liminar solicitando a antecipação do direito de posse do casarão”. Quando a decisão sair, a reforma do espaço poderá ser iniciada.

Atualmente, o Centro de Cultura Memória e Estudos da Diversidade Sexual possui um pequeno espaço expositivo na Estação República do Metrô, no Largo do Arouche. O presidente do museu, Franco Reinaudo, contou ao Universo AA os motivos que o levaram a criar um espaço dedicado à cultura LGBT. “Muitos LGBT não têm família, não têm ninguém para zelar pelas suas memórias. Sem um lugar para guardar esses objetos, a história acaba se perdendo. Precisávamos de um espaço de visibilidade para preservar a importância dessa comunidade”.

O Museu da Diversidade foi criado por decreto do governador Alckmin, em 2012. Mas pela falta de espaço, não era possível manter um acervo próprio, apenas eram realizadas exposições transitórias. No entanto, as mostras levaram cerca de 35 mil pessoas ao museu somente no ano passado. A necessidade de ampliar o arquivo fez com que Franco se juntasse a Cássio Rodrigo, Assessor de Cultura para Gêneros e Etnias, e ao Secretário para pedir pela transferência do Museu da Diversidade para um espaço maior.

O imóvel possui 600 metros quadrados de área construída e terreno com total de 2,7 mil metros quadrados. Espaço mais que suficiente para incluir ao museu uma biblioteca, um café, um setor administrativo e um espaço multiuso para exibições de filmes e peças teatrais, além de palestras.

Parada Gay - Foto: Reprodução

Parada Gay – Foto: Reprodução

“Nós já estávamos procurando uma nova sede, mas quando saiu a decisão que o Governo iria reaver a posse do casarão, na hora pensamos que aquele seria o espaço ideal para a nova sede”, disse Cássio Rodrigo. “O Marcelo apresentou o nosso projeto ao governador, e ele topou na hora”, completou.

Segundo o governo, em função da história e da localização do imóvel, o museu também terá uma seção dedicada à memória da Avenida Paulista, como espaço de moradia da elite cafeeira a cenário de manifestações populares. “Apenas com o restauro da casa, nós já estamos garantindo a história. Mas também construiremos uma linha do tempo para contar a história do movimento LGBT. Como essa memória está ligada a história da própria Avenida Paulista – palco da Parada do Orgulho Gay – usaremos uma mesma linha para relembrar a trajetória do famoso endereço”, contou Cássio Rodrigo

Ainda não há uma data certa para a inauguração do novo Museu da Diversidade, no entanto, eles esperam poder abrir as portas durante a Parada LGBT de 2016.

O pequeno espaço no metrô será mantido como centro expositivo. Nesta semana, a organização do museu se prepara para lançar a exposição Diversidade Futebol Clube, uma parceria com o Museu do Futebol contra a homofobia no esporte.

O museu é um grande passo na luta contra o preconceito. Por falar com todo tipo de gente, um espaço cultural serve para mudar a mentalidade dos visitantes. “A diversidade humana – incluindo a diversidade sexual – está na base da identidade cultural da cidade e do Estado de São Paulo. Nesse contexto, a criação do Museu da Diversidade Sexual foi uma decisão importantíssima, com o objetivo de manter um espaço em que pudessem se desenvolver o estudo, a preservação e a difusão da história e da cultura da população LGBT paulista e brasileira. Na estação República, o museu recebeu pessoas que puderam ter contato com uma visão sem preconceitos de produtos artísticos produzidos pela comunidade LGBT ou que a tem como foco. Esse contato é imprescindível na luta contra a discriminação e contra a homofobia. Imagine, então, o potencial deste museu instalado na Avenida Paulista”, concluiu o Secretário Marcelo Mattos de Araujo.