26 junho, 2017

Version of Me

Uma exclusiva com a Sporty Spice Girl Melanie C, que faz rasante no Brasil, sobre o apoio dos fãs LGBT, sua carreira e, claro, Anitta e o novo álbum

“Oi UniversoAA, é tão bom falar com vocês. E eu estou tão grata por estar aqui, no Brasil. Obrigado por todo o apoio em todos estes anos e espero ver vocês muito em breve!”

O vídeo acima – feito durante a entrevista exclusiva que concedeu para o UAA em São Paulo – é uma mera amostra do carisma de Melanie C. Ou seria magia? Pois a verdade é que embora o tempo tenha passado, é difícil dissociá-la da imagem de uns anos 1990 que não parece tão distante assim. Voltando no tempo: o grupo que ela integrou, as Spice Girls, todos sabem, já dominaram o mundo, como mostra o indefctível filme Spice World, de 1998, e, bem, permanece no imaginário coletivo. A favorita de muitos dos fãs? Melanie C, a Mel C, também conhecida como Sporty e considerada, ao lado de Mel B, uma das vozes mais poderosas do quinteto e a dona da banca e dos agudos mais admirados – o que talvez explique a histeria que ela provoca nos fãs, quase duas décadas depois do fim oficial da girl band.

Melanie C durante a coletiva de imprensa de seu novo álbum Version of Me, em São Paulo

Entretanto, a verdade é que duas décadas após a criação do quinteto, a inglesa, agora com 43 anos, vem para o Brasil carregada de toda a pompa que mantém sua carreira. Sim, ela é mais bem-sucedida das Spices Girls e, embora não seja onipresente por aqui, tem vasto repertório de hits na Europa, principalmente na Inglaterra, seu país natal. Se com o grupo vendeu mais de 80 milhões de discos, sua carreira solo ostenta mais 20 milhões de cópias até este sétimo álbum – um feito, diga-se, que nenhuma das outras garotas apimentadas conquistou.

Pois bem, a A Mel C que aterrissou neste mês de junho em São Paulo e no Rio de Janeiro chegou bonita e madura: no período que ficou sem gravar, ela enfrentou uma crise de depressão e de distúrbios alimentares que tornou pública por julgar ser necessário falar sobre o tema. Mas não espere melancolia, não. A musa, que recebeu nossa equipe no hotel Cadoro, na Rua Augusta, em São Paulo, é sorridente. Sabe aquele história (muito comum) de artista gringo que só vem para cá para cumprir protocolo? Este não é o caso da moça que, com seu timbre áspero e doce, logo encanta falando sobre a carreira e sobre seu novo álbum, Version of Me (Lab344), que alcançou o primeiro lugar de vendas no iTunes Brasil na última semana.

Não escutou ainda? Play em Hold On, seu último single, abaixo!

Ou se jogue na eletrônica Anymore!

A garota está completa e, diga-se, com um gingado que a faz, claro, amada pelos gays. “É incrível sentir esse apoio da comunidade LGBT, que acontece no mundo todo e que é muito leal. É um sentimento recíproco e sempre muito divertido”, diz Mel C, cujos melhores momentos de nosso bate-papo, você confere abaixo.

Não posso deixar de começar perguntando: você vai cantar com Anitta na televisão. Você já a conhecia?

Eu fui convidada para participar de um show na televisão. Como eu não a conhecia, resolvi assistir alguns vídeos dela. E me pareceu uma ideia bem, bem divertida. Ela é linda! Ensaiei algumas das músicas que faremos juntas e estou muito animada. Desde que cheguei, falei com algumas pessoas sobre ela e é unânime: todo mundo a adora!

Como foi gravar seu novo álbum Version of Me?

Foi muito interessante gravá-lo porque eu queria fazer algo bem diferente do que eu estava acostumada. Eu me sentia diferente e queria que a minha música refletisse isso. Como eu buscava um álbum mais eletrônico, conversei com o meu produtor para achar o meio termo entre o novo e o que combinasse comigo. Sou uma artista pop, não posso competir com os artistas novos que estão reinando hoje em dia. Foi muito legal descobrir novas sonoridades.

Tem alguma música nele que seja muito especial para você?

Há uma música que demorei para acertar e que é muito importante para mim: Blame. Ela começou como uma balada tradicional e se transformou completamente. Eu amo o resultado final!

Você abriu mão de pertencer a uma grande gravadora e fundou a sua. Porquê?

Sim. E como tudo na vida, tem o lado bom e o lado ruim. A melhor parte é ter completa liberdade criativa e não ficar à mercê dos limites que as gravadoras impõem. Por outro lado, quando você está dentro de uma grande infraestrutura e é desejada por eles, eles investem bastante dinheiro em marketing e como consequência há um impacto midiático. Fora o networking que vem involuntariamente.

Qual a diferença entre a Melanie C há 20 anos e a de hoje?

Algumas vezes eu penso: ‘uau, como eu mudei’. E em outros momentos: ‘nossa, eu não mudei nada!’. Vinte anos depois é legal ver como acumulei experiências e aprendi novas coisas. A nossa essência, no entanto, nunca muda.

Foi difícil se desligar das Spices?

As Spice Girls foram um momento incrível na minha vida, mas tudo tem partes negativas. Quando decidimos seguir carreiras solo, nós estávamos exaustas. Havíamos viajado o mundo todo, ficado muito tempo longe da nossa família e dos nossos amigos. Eu nunca fiquei preocupada em seguir em frente. Na época, pareceu a coisa certa a se fazer. Faz 19 anos que sou uma cantora solo e eu sempre serei uma Spice Girl. Eu sempre terei orgulho disso. [Neste momento, ela fez o sinal de paz e amor com os dedos, como costumava fazer <3]

Você será sempre a nossa Sporty. Como você mantém a rotina fitness?

Quando estou promovendo um álbum, meu cronograma é muito apertado entre viagens e entrevistas. Mas manter as atividades físicas é algo muito importante para mim, me ajuda a me sentir forte fisicamente e mentalmente. Mantém a minha energia para as performances e pros shows. No Reino Unido, eu faço aulas de ioga e compito em maratonas.

Qual é a sua relação com o Brasil?

Confesso que não conheço muita coisa… Aliás, gostaria de descobrir o que tem de bom para comer, fazer e escutar, porque eu quero explorar! Devo dizer ainda que meus fãs brasileiros são incríveis, pois eles iam assistir os shows na Europa e são o motivo de eu estar aqui agora. Ah, prometo que não vou mais demorar 20 anos para voltar!

Qual é a importância dos seu fãs da comunidade LGBT mundo afora?

Para começar, eles têm muito bom gosto! Nós, as Spice Girls, sentimos muito orgulho do apoio da comunidade LGBT. No grupo, nós podíamos ser nós mesmas, podíamos exercer a nossa individualidade mesmo pertencendo a um quinteto. A gente dizia que era sobre o poder da mulher, mas era mais sobre inclusão e igualdade. É incrível sentir esse apoio que acontece no mundo todo e que é muito leal. E também é divertido, porque os gays adoram se divertir. Logo, é uma troca, recíproca (risos).

Depois de 20 anos de carreira, qual é a chama que você mantem acesa dentro de você para continuar?

Honestamente? Há momentos que eu realmente não sei. Não sei nem qual direção eu quero ir. Mas por sorte, com esse álbum, estava muito claro para mim: eu me sentia diferente e eu queria expressar isso. Acho que consegui ser corajosa com as letras e com as músicas que eu escolhi. É ótimo quando você sabe para onde quer ir. Então este é um bom momento e sinto que é um novo capítulo, um novo começo em diversos modos. Eu estou muito inspirada e animada para o futuro.


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