18 março, 2016

L'enfant Terrible!

Lindo, talentoso e promissor, saiba tudo sobre Pedro Bazani, o arquiteto que não para e vem ganhando destaque

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País das maravilhas: Pedro Bazani e a pimenta lúdica e autoral de seu trabalho, aqui com a participação surrealista de 10 coelhos. As luminárias pendentes foram assinadas por ele

O currículo é dos bons: formado em arquitetura e urbanismo pela Anhembi Morumbi e especializado em cool hunting pela descolex Escola São Paulo e em design de produto na Itália (The Florence Institute of Design International), o paulista Pedro Bazani, 26 anos, já assinou diversos projetos comerciais, residenciais e até um colégio na Grande São Paulo. “Tenho um carinho enorme por uma escola que fizemos em Diadema. Pensar nessa nova geração é uma obrigação, e poder observar as crianças utilizando nossos espaços de modo inovador, que nem a gente imaginava, não tem preço”, conta o jovem arquiteto com o talento necessário para converter arquitetura em bem-estar – sempre de olho no dia depois de amanhã.

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Soft loft: No projeto deste loft paulistano, o minimalismo dá as cartas. A leitura moderna de Pedro inclui formas aerodinâmicas e cores pronunciadas, como o amarelo

Esse gás todo vem garantindo a Pedro uma exposição bacana. É ele quem assina, por exemplo, o novo QG da Carta Editorial, legendária empresa que trouxe (e emplacou) os títulos da família Vogue no Brasil, antes da transição do brand para a Editora Globo, e que agora é responsável pela chique Harpers Bazaar. Mas o volume de trabalho está mesmo nos apês descolados para uma rapaziada que inclui de clubbers da cena gay a mauricinhos do mercado financeiro. Nas entrelinhas, ainda assina luminárias, mesas, cadeiras e outros objetos de desejo. #pedronãopara

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Tudo junto misturado: A sala de jantar se estende ao ambiente de estar. O piso de madeira contrasta bem com a parede de cimento queimado, uma das tendências mais up-to-dates do décor

Um Proust Questionnaire para Pedro Bazani

Nome, signo, idade, onde nasceu e o que estudou? Pedro Bazani, de aquário, 26 anos, nascido em São Bernardo do Campo, formado em Design, Arquitetura e Urbanismo.

Profissão? Arquiteto e designer.

Cadeira predileta? Cadeira fetichista do Allen Jones.

Um prédio/ construção inesquecível? Nakagin Capsule Tower, de Kisho Kurokawa.

Livro de cabeceira? “Só Garotos”, de Patti Smith.

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Janela para o mundo: O aparador ondulado de Sergio Faher é o par ideal para a fotografia colorida de Tomie Viegas

Se fosse um super-herói, seria o… Jaspion.

E quem são os seus super-heróis da vida real? Idealizar é muito complicado, mas acredito muito em ações simples. Uma pessoa que te deseja um “bom-dia” pode ser um herói naquele momento.

O projeto predileto que você desenhou até hoje é… A Escola Carlos Drummond de Andrade, em Diadema.

O melhor arquiteto do Brasil é… Sérgio Bernardes e Lina Bo Bardi.

E o melhor do mundo? Tadao Ando e Frank Gehry.

O melhor designer do Brasil é…   Sérgio Bernardes e Lina Bo Bardi (Desculpa, mas tive que repetir).

E o do mundo? Joe Colombo e Jean Maneval.

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Ô, lá em casa: Pedro posa no home theater que tem tons sóbrios em jogos de texturas e volumes

Se você não fosse arquiteto / designer, seria… Diretor de arte.

Sua primeira referência de décor na infância foi… Foi a casa dos meus tios e padrinhos em Vinhedo, me lembro bem das salas com diferentes níveis e um telhado com vários arcos. Ela era toda em concreto e tijolo aparente.

Na sua casa não pode faltar… Cheiros, incensos, difusores e velas. Acredito muito que o cheiro marca uma situação ou um lugar. Adoro fazer essa viagem com cheiro.

E o que não pode faltar na casa do seu cliente? Peças de arte em geral, tendo valor agregado ou não.

Qual o maior pecado estético que identifica no design contemporâneo? Não assumirem a referência usada.

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#ficaadica: Você não precisa ter um Picasso e pode começar sua coleção de arte apostando em nomes ascendentes. Sabe o que dá o maior efeito no visual? Colocar obras sobrepostas de leve umas as outras. Composê infalível!

Seu lado mais chique gosta de… Poder deixar meu carro na garagem e usar o metrô.

E seu lado cafona gosta de… Adoro o termo “cafona”. Acredito que ele é atribuído a tudo que deu certo um dia, então vira popular e de tanto ser usado, intitulamos de cafona algo que não é mais tão exclusivo. Isso resume bem as minhas idas à Rua 25 de Março. Tudo que tem lá está no auge do popular e esbarrando já no cafona. Eu adoro fazer essa pesquisa das tendências populares.

O que é mais importante: forma, função ou poesia? Me cobro muito da forma e da função, mas acredito que a poesia é o resultado da soma das duas.

Matéria-prima fetiche… Neon.

O que precisa ser varrido para debaixo do tapete? Nada. Tenho mania de limpeza. Rs.

Qual móvel brasileiro merece uma reedição? A poltrona Fardos, do Ricardo Fasanello.

Sua cor predileta? Preto.

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Pop-se: A pintura superpop de Daniel Bota Grita nesse ambiente pensado para se jogar – e se inspirar

 E uma cor que jamais usaria num projeto de móvel ou de arquitetura: Acho que com uma boa composição, qualquer cor pode ficar incrível em um projeto.

Uma coisa bonita: Patriotismo.

Uma coisa feia: Ter vergonha do nosso País, da nossa história e da nossa miscigenação. Acho que é um momento de repensarmos em ter vergonha de nós como brasileiros e não do Brasil.

Qual o elemento mais bacana para dar uma tapeada no décor sem grandes malabarismos?  Dar um valor para uma peça que representa muito para você e brincar com cores em almofadas, tapetes e etc…

Quais os traços que mais desaprova em si mesmo?  Ansiedade.

E quais os traços que mais desaprova nos outros? Preconceito.

 Qual a sua maior extravagância?  Pegar um cliente que não tem nada a ver com a identidade do Escritório e ainda assim combinar ambas as partes, dando um superresultado. Adoro aprender também com o cliente, mesmo isso dando muito trabalho.

Em que ocasiões você mente?  Quem não mente? Quem nunca fingiu gostar de um presente? Acho que nessas situações uma mentira é sempre bem-vinda.

Um filme que vale a pena ver de novo: “Domésticas”, do Fernando Meirelles.

 A música que mais toca no seu iPod: “Panis et Circenses”, dos Mutantes.

E uma música para malhar: Não sei, eu não malho rs.

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Cadê a merenda? Quem resiste aos encantos dessa mesa de jantar foférrima integrada ao espaço gourmet?

Uma diva? Maria Callas. Um divo? Ney Matogrosso.

Quem tem estilo? Pessoas autênticas que não têm medo de usar e assumir o que gostam.

Quem não tem? Pessoas que querem parecer o que não são.

Seu lema de vida: Sabe que eu sempre procurei um? Não sei rs.

Qual o lugar mais lindo que já visitou? Cinque Terre.

Quais as 5 peças de design que você levaria para uma ilha deserta? Acho que resumiria tudo em um: a Bubble House do Jean Maneval. É uma peça de design que já vem completa. A, e o “Baby Container”, do Joe Colombo.

Uma dica para quem quer decorar a casa com muito estilo e pouca grana: Experimentar materiais inusitados e baratos pode dar uma identidade muito forte para seu espaço, mas cuidado para não cair no modismo momentâneo. Não é em todo lugar que um pallet pode ficar legal (risos).

A arquitetura brasileira precisa de… Incentivo e acessibilidade para formar futuros arquitetos competentes.

O design pode salvar o mundo?   Não, mas pode ajudar a torná-lo melhor.

Ontem, hoje ou amanhã? Acredito que o “hoje” seria o correto, mas sem dúvida eu sou do “ontem”.


 

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