3 fevereiro, 2014

Cazuza vive!

Osmar Silveira fala da experiência de interpretar um dos maiores gênios da música brasileira nos palcos

Osmar Silveira. Foto: Divulgação

Osmar Silveira. Foto: Divulgação

Se você ainda não ouviu falar em Osmar Silveira, anote este nome. O ator é uma das grandes promessas da dramaturgia brasileira.

Natural do Mato Grosso, o jovem foi para o Rio de Janeiro tentar a sorte na carreira de ator. Dedicado, em apenas quatro meses emplacou como stand in do protagonista no musical Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz.

Em uma entrevista exclusiva ao Universo AA, Osmar falou sobre seu trabalho e seus planos para o futuro. Confira o bate-papo na íntegra:

Universo AA: Você está interpretando o Cazuza no teatro. Nos conte um pouco como surgiu essa oportunidade?

Osmar Silveira: Sou mato-grossense e estava no Rio há apenas 4 meses – participando de o musical Enlace – A loja do Ourives, com a atriz Claudia Ohana – quando surgiram os testes do Cazuza. Soube que seriam abertas audições para escolha do personagem Cazuza e resolvi me inscrever. Não esperava emendar um trabalho ao outro.

Fiz ao todo quatro testes com um número bastante grande de atores, até ficarmos em apenas três. Me lembro de ter ficado bem nervoso no penúltimo teste, pois este foi realizado na presença dos pais do Cazuza (João e Lucinha Araújo). Passados os testes, ainda aguardei uns dois ou três dias a decisão. O telefone tocou, para minha felicidade e surpresa, me convidado para ser stand in do personagem protagonista. Uma semana depois já estávamos ensaiando.

 

UAA: Interpretar umados maiores ídolos da música brasileira não é tarefa fácil. Como você construiu o papel e como está sendo a aceitação do público?

OS: À partir da escolha, recebemos o texto e iniciou-se o processo de construção do espetáculo. Como stand in, precisava ficar muito atento a todos os movimentos, pausas e marcas do ator titular, para que quando chegasse a minha vez, pudesse fazê-lo com segurança.

Paralelo ao musical, fiz algumas aulas com fonoaudióloga e mantive o trabalho com meu coaching vocal, trabalhando o repertório do espetáculo. O trabalho de composição precisou ser minucioso para dar a plateia um personagem o mais verdadeiro possível. Para isso, foi preciso mergulhar no universo de Cazuza, ver e rever clipes, entrevistas, ouvir músicas… Tudo para buscar e estudar este ícone da música brasileira.

 

UAA: Personagens homossexuais, mesmo reais, são sempre controversos. Foi um desafio para você interpretar um homossexual?

OS: Acredito que todo e qualquer personagem, principalmente se for baseado em uma pessoa que realmente existiu, é um desafio para o ator. No musical o fato de Cazuza ser homo ou bissexual não é a questão principal – claro que também não é escondido – os dois relacionamentos mais marcantes de sua vida (com Ney Mato Grosso e Serginho) estão na trama, mas o todo se torna tão mais importante que as pessoas acabam não julgando ou torcendo o nariz. Elas se esvaem em lágrimas e torcem pelo personagem, mesmo já sabendo o final. Cazuza foi um cara além do seu tempo, um herói dos anos 80, viveu, curtiu, enfrentou o preconceito, que naquela época era muito maior que hoje, e lutou por suas ideologias.

 

UAA: Qual é a importância desse trabalho na sua carreira?

OS: Sem dúvida este é o trabalho mais importante que já fiz, não só pela complexidade e tamanho, mas pela projeção que tenho recebido, mesmo como stand in. Como já entrei em cena como protagonista diversas vezes, isso despertou uma curiosidade do público e da mídia em saber quem é este outro Cazuza. Sem mencionar o aprendizado gigantesco que estou tendo a oportunidade de adquirir ao lado de atores e diretores tão talentosos.

 

UAA: Já tem projetos para novas peças, filmes ou trabalhos na TV?

OS: Meu projeto, por enquanto, é o musical, mas se pintarem outras oportunidades vamos estudar com calma e analisar o que for melhor. Tenho muita vontade de fazer cinema e TV, seja novela ou minissérie. Acredito que 2014 será um ano muito produtivo.

Foto: Divulgação