3 fevereiro, 2016

No tabuleiro do baiano tem…

Pode ser uma casa veranista na Bahia ou um apartamento cosmopolita em Nova York. Para Nildo José o céu é o limite!

1 Anota aí: Nildo José é um dos melhores frutos da safra “subtrinta” da arquitetura brasileira. Baiano de Feira de Santana, com um pé em São Paulo – onde vive – e outro no mundo, aos 27 anos já vem ganhando credibilidade entre os grandes editores do mercado por conta do riscado elegante e da cultura que possui de seu ofício – bem acima da média – até considerando o tempo que se leva para sedimentar uma carreira nesse mercado.

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Living outdoor. O “gatonildo” posa em produção armada por ele na Etel Interiores especialmente para a revista KAZA. O clique é de Salvador Cordaro

Entusiasta da escola da contenção e do equilíbrio e das lições do incensado Isay Weinfeld, Nildo tem um traço discreto, puro e elegante que fala de um Brasil brasileiro, mas sem folclores. Disserta com propriedade sobre a riqueza da nossa marcenaria, elege clássicos do design como Jorge Zalszupin sem cair na vala comum e, enquanto você lê esta coluna, ele se multiplica em muitos para entregar projetos sui generis que incluem uma casa na Bahia, um apartamento em Nova York e sua estreia em uma mostra de decoração que promete ser um divisor de águas na carreira do cara.

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Design de primeira + marcenaria impecável sobre fundo de cimento queimado. Uma trinca que está na cabeça – e nas pranchetas – da nova safra da arquitetura brasileira

Espie um bocadinho de seu trabalho e entenda um pouco mais dos ingredientes de seu tabuleiro em nosso Quiz.

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Quanto mais simples e sem firulas for o arranjo, melhor. Ainda mais se ele for acomodado em um belo murano azul-furtacor, como faz o Nildo

Um Proust quiz para Nildo José

Nome, signo, onde nasceu e o que estudou? Nildo José, Gêmeos, 27 anos, nascido em Feira de Santana, Bahia, e formado em Arquitetura pelo Mackenzie, SP.

Profissão? Arquiteto

Cadeira predileta?  Cadeira Standard- Jean Prouvé

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Influência escandinava na poltrona de balanço de pelúcia. Mas com pele fake sempre: o Nildo, assim como a gente, detesta taxidermia e outros procedimentos que maltratam os bichinhos

Um prédio/ construção inesquecível? O MoMA, em Nova York.

Livro de cabeceira? A Bíblia, dada por minha mãe.

 Se fosse um super-herói, seria o… Superman.

E quem são os seus super-heróis da vida real? Meus pais.

O projeto predileto que você desenhou até hoje é…o que estou desenhando agora, a casa da minha irmã na Bahia; e o meu primeiro projeto internacional, um apto em NYC. Os dois são bem especiais e foram desafiadores.

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Mix de living e biblioteca, o projeto desta residência toma partido do pé direito alto para fazer uma ambiance neo-glam que é a cara do Nildo – e a nossa também

O melhor arquiteto do Brasil é… Isay Weinfeld

E o melhor do mundo?  Escolha difícil. Mies van der Rohe é um ícone. Gosto bastante do Joseph Dirand, Norman Foster e Tadao Ando também.

O melhor designer do Brasil é…  Jorge zalszupin E o do mundo? Antonio Citterio

Se você não fosse arquiteto seria… Médico ou chef de cozinha.

Sua primeira referência de décor na infância foi… O arquiteto baiano David Bastos.

Na sua casa não pode faltar… Alegria, livros e quadros.

E o que não pode faltar na casa do seu cliente? Personalidade

Qual o maior pecado estético que identifica no design contemporâneo? Taxidermia e escassez de vida nos espaços.

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Um cantinho de home office, como pedem nossos dias insanos, em que trabalhar em casa é condição fundamental de sobrevivência. Inspiração e sobriedade

Seu lado mais chic gosta de… Bach, Bossa Nova, Jazz, Blues e vinho

E seu lado cafona gosta de… Axé e Cerveja.

O que é mais importante: forma, função ou poesia?  Os três. Eles precisam andar juntos.

Matéria-prima fetiche. Concreto, madeira e mármore.

O que precisa ser varrido para debaixo do tapete? Desonestidade.

Qual móvel brasileiro merece uma reedição? Poltrona Amazonas, do Jean Gillon.

Sua cor predileta? Azul marinho.

E uma cor que jamais usaria num projeto de móvel ou de arquitetura? Nunca diga nunca, ainda mais para as cores.

Uma coisa bonita? A natureza. Uma coisa feia? A Guerra e a Prepotência

Qual o elemento mais bacana para dar uma tapeada no décor sem grandes malabarismos? Flor no vaso.

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Mistura fina de cores (sempre suaves, é claro) no pantone racée de Nildo José. E assim, o apê paulistano cresce e aparece

Quais os traços que mais desaprova em si mesmo? Sou workaholic.

E quais os traços que mais desaprova nos outros? Falta de caráter.

Qual a sua maior extravagância? Aqui em SP, escolhi não ter TV em casa e considero uma baita extravagância.

Em que ocasiões você mente? Já aprendi que não se mente. Mentira tem perna curta, gera confusão e desentendimentos. A verdade sempre! Quando  ela é dolorida, um bom eufemismo.

Um filme que vale a pena ver de novo?  Fico entre “Beleza Americana”, A Trilogia das Cores e “A Single Man”.

A música que mais toca no seu iPod? Projeto sempre com som ligado. Tom Jobim, Blossom Dearie e Nina Simone são figurinhas repetidas diariamente no meu ipod. Seria injusto definir uma música só.

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Composê modernex? Tem sim senhor! A receita de Nildo leva luminária de latão La Lampe, vaso de design Jader Almeida e fotografias p&b: chique no último!

Uma música para malhar? Indie rock. Gosto de “Pompeii- Bastille”, “Paris- Friendly Fire” e a playlist “Indie Pop!” do Spotify.

Uma diva? Julianne Moore Um divo? Frank Sinatra

Quem tem estilo? Quem tem personalidade e assume o que é!

Quem não tem? Quem copia e é inseguro.

Seu lema de vida? “O essencial é invisível aos olhos”

Qual o lugar mais lindo que já visitou?  Fico entre Taipus de Foa, na Bahia e Ice Caves, Salzburg, Áustria.

Quais as 5 peças de design que você levaria para uma ilha deserta? Carrinho de chá do Jorge Zalszupin; Luminária Tacci, de  Achille and Pier Giacomo Castiglioni; Poltrona Alta, Oscar Niemeyer; Garden Umbrella Bistro, Paola Lenti e Sofá Evergreen- Felxform.

Uma dica para quem quer decorar a casa com muito estilo e pouca grana Garimpar! Se entregar de corpo e alma (principalmente) nessa busca e investir em peças chaves, como obras de arte e design.

A arquitetura brasileira precisa de… Essência!

O design pode salvar o mundo? Sim. Se pensarmos no design como algo que está associado a outras áreas, como ao espaço urbano, à sustentabilidade e à ciência; sem dúvidas!

Ontem, hoje ou amanhã?  Hoje!


 

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