19 agosto, 2016

Gol de Placa

Ex-jogador profissa de futebol, economista por formação e designer de interiores por vocação, Diogo Oliveira jogou tudo para o alto e está no radar dos novos talentos da arquitetura. Universo AA conta tudo

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Em ensaio dirigido por Allex Colontonio, com cliques de Salvador Cordaro, Diogo Oliveira assina o retrofit deste projeto de Ruy Ohtake, datado dos anos 1960. Móveis clássicos brasileiros fazem a alegria – assim como a cachorrada – no jardim

Se você passeia pelas cercanias da Avenida Paulista, já deve ter visto esse sujeito alto, esguio e garboso transitando pra lá e pra cá com seus buldogues ingleses – Diogo Oliveira divide o apê, a vida e as atenções com Bento, Sebastião, Joaquim e Chico. Os 100 quilos somados dos caninos fazem sucesso nas ruas de Sampa e também nas redes sociais, já que são considerados os pets-propaganda da vez pela mídia especializada. “É a parte divertida do meu dia. Faço questão de passear com eles sempre”, conta.

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No living da mesma residência originalmente projetada por Ohtake, Oliveira posa no décor que ambientou. Entre os high lights, a clássica poltrona de Oscar Niemeyer

Autor de projetos que plasmam seu estilo eclético à personalidade dos clientes, aos 32 anos, o cara vive e respira arquitetura. Baiano de Feira de Santana, na Bahia, foi jogador profissional de futebol, cursou economia e só embarcou no design de interiores aos 25, após decorar sozinho (e com móveis usados) seu apê. O trabalho chamou a atenção de uma vizinha, que virou a primeira cliente e daí o start da coisa toda. Hoje formado em design de interiores, conta com currículo de sucesso, com direito a capas de revista e projetos internacionais, como a revitalização de um loft no West Village, em Nova York. “O que mais gosto de fazer é revitalizar, dar um ar futurista em construções antigas”, conta.

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De smoking, brincando de escalada na marquise de Ruy Ohtake. A sala de jantar improvisada na varanda leva móveis italianos

Point de artistas, arquitetos e modernos em geral, seu apartamentão de 450 metros quadrados, também na Avenida Paulista, é outro teaser de sua carreira e de sua vida. O endereço, datado dos anos 1950, ganhou novos contornos condizentes com a personalidade do dono do pedaço, que define a obra como um “espaço misturado e sem regras”, que vai do design contemporâneo ao antigo. “Tem até boneco do Michelin aqui”, brinca.

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Submerso na piscina, após resgatar um de seus cães – ruins de mergulho (o buldogue não foi “projetado” para nadar. Por conta das patinhas curtas e do peso, afunda com facilidade)

Nome, signo, idade, onde nasceu e o que estudou? Diogo Oliveira, Libra, baiano de Feira de Santana (Bahia), formado em Economia pela PUC e em Design pela Escola Panamericana de Artes

Um prédio/ construção inesquecível?  The Gherkins by Norman Foster  em Londres

Livro de cabeceira? Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar

Quem são os seus super-heróis? Minha avó materna, dona de uma sabedoria e de uma coerência fora do comum, com senso de humor impecável e um coração que é impossível mensurar o tamanho.

O melhor arquiteto do Brasil é… Isay Weinfeld

E o melhor do mundo? Norman Foster

O melhor designer do Brasil é… Jader Almeida

Se você não fosse arquiteto / designer, seria… Advogado

Na sua casa não pode faltar… Irreverência em objetos.

E o que não pode faltar na casa do seu cliente? Obras de arte provocativas.

Qual o maior pecado estético que identifica no design contemporâneo? Fazer decoração pra impressionar os amigos.

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Detalhe de uma das alas de seu espaço living, na Avenida Paulista. O apto é frequentado por toda a sorte de gente: divas, jornalistas, drags, atores, cantores e jogadores de futebol

Seu lado mais chique gosta de… Música clássica e bons documentários.

E seu lado cafona gosta de…. Bater perna na 25 de março e ouvir música de corno (impressionante como faço isso com frequência).

O que precisa ser varrido para debaixo do tapete? Precisamos eliminar essa mania de achar que algo precisa ser varrido pra debaixo do tapete.

Qual o elemento mais bacana para dar uma tapeada no décor sem grandes malabarismos?  Mobília boa, sem mistura excessiva de materiais. E obras de arte impactantes harmonizadas com o ambiente

Quais os traços que mais desaprova em si mesmo? Minha incapacidade em diagnosticar cretinos.

Qual a sua maior extravagância? Um quadro dos gêmeos.

Em que ocasiões você mente? Quando não quero ser grosseiro.

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O estilo maximalista de Diogo prevê colecionismos, acúmulos e uma certa baguncinha organizada que é a cara do novo décor contemporâneo

Um divo. John Drops: um cara negro, baiano, de origem extremamente humilde que, de dentro da cozinha da sua casa, já foi parar em matéria do NY Times, é seguido por Lady Gaga, e Katy Perry no Instagram e inventou uma nova modalidade de humor.

Quem tem estilo? Barack Obama.

Quem não tem? Lula.

Seu lema de vida: Maximizar prazeres e minimizar dores.

Qual o lugar mais lindo que já visitou? Chapada Diamantina .

Quais dicas você daria para quem quer decorar a casa com muito estilo e pouca grana? Recomendo as feiras de antiguidades. Com 500 reais e um olhar atento, é possível comprar diversas coisas interessantes. Em SP, temos a do Masp, a do Mube, a do Bixiga e da Benedito Calixto. O centro é cheio de excelentes opções. Em volta da Aladin Tecidos, temos diversas lojas de decoração.

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