27 outubro, 2017

Lembrar é reviver

A história de John Tenenbaum, que morreu durante o surto do HIV, contada pelo seu melhor amigo, Steve Sobota. Já pega os lencinhos, hein?

John Tenenbaum, sentado no carro, e Steve Sobota

Você conhece a conta do instagram The Aids Memorial? A ideia deles é contar o maior número de histórias de pessoas que morreram devido à epidemia da AIDS, na década de 1980. Como? É uma mídia colaborativa. Qualquer pessoa que gostaria de compartilhar a história de algum amigo ou amiga, namorado ou namorada, familiar etc pode enviar uma imagem acompanhada de um textinho.

Há uma semana, por exemplo, Steve Sobota lembrou a história de seu melhor amigo, John Tenenbaum. Eles se conheceram na escola e se tornaram inseparáveis. Mesmo quando eles moravam em cidades distintas, davam um jeito de se encontrar todos os finais de semana para curtirem juntos. Quando John descobriu que era soropositivo, aos 32 anos, suas prioridades mudaram. Seis meses depois do diagnóstico, não conseguia olhar para seu corpo. Ela era professor de educação física, sempre foi esculpido por muita malhação, como poderia se despedir do físico impecável com tanta rapidez?

John Tenenbaum

Então, num dia, ligou para seu melhor amigo, Steve, e disse que havia tomado muitos comprimidos. Disse que gostaria de morrer da sua maneira: conversando com ele no telefone e lembrando dos dias áureos da amizade. Steve não sabia onde ele estava, então não poderia ligar para a emergência. De qualquer jeito, para pedir ajuda, teria que desligar o telefone e deixar seu melhor amigo morrer sem sua companhia. Foi assim que Steve se despediu de seu fiel escudeiro. Hoje, John teria 63 anos.

. . “#JohnTenenbaum born Oct 18, 1954, died Aug 1988 – 3 months shy of 34. Waiter, gym coach bon vivant. He had this booming voice. I would answer the phone and hear: “Kitty I have a scathingly brilliant idea” and I knew I would be packing and on a plane headed somwehwere. The first photo is John on the left and me on the right in Houston, Texas in 1981. . The second photo is John in Fire Island, Pines in 1984. I never would have believed that 4 years after I took this photo he would die. . We grew up in Minneapolis. He was a good man. We met as seniors in high school. First danced together at the original Suttons on 7th, upstairs on a Saturday night (we were let in the back door because we were underage). . We hit it off and saw the great adventure of life in each other and we both loved to dance. After college I took a job in Houston and John moved to Atlanta. The position I took required me to be in Atlanta monthly so I would fly in on Friday afternoons to spend the weekends. He just wanted to shop and dance and so we did. He went to New York for the opening of ‘The Saint.’ A month later he rearranged his life and moved to New York. . We danced in Minneapolis, San Francisco, New York, Houston, Atlanta, Dallas and Chicago. Thelma Houstons ‘Don’t Leave Me This Way’ brings back great memories of dancing at ‘Back Street’ and ‘Magic Garden’ in Atlanta. Songs we danced to in San Francisco were ‘Dirty Ol Man’ and ‘Love and Happiness’ and ‘I’ll Always Love My Mama.’ I would give anything to have had one last dance. . John’s death was not directly a result of AIDS. Diagnosed 6 months before his death in 1988, the ultimate gym rat, he refused to watch himself wither away. He chose to take his own life his way on his terms. He did it when he was on the phone with me. He was in NYC. I was in Houston. He took pills. We spent about 4 hours talking and sharing all the joy of the adventures we shared. He said if I tried to hang up and get help he would leave and die alone. I didn’t know where he was calling from so I kept my promise and stayed with him. . John would’ve been 63 today. He will be forever young. I miss you so much.” – by Steve Sobota .

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