18 julho, 2017

A maravilhosa

Gretchen, a mais bem-sucedida diva brasileira no exterior faz show em São Paulo, no dia 28 de julho, no Espaço 555. Nesta exclusiva, discorre sobre como é ser mãe de um menino trans e diz, toda modesta, que não daria conselhos para ninguém, nem para Anitta, sobre como fazer sucesso, como ela, fora do País

Maria Odete Brito de Miranda Marques, 58 anos, é ultrapop. Mas não venha com essa de que ela, Gretchen, está num bom momento porque estrela o lyric video de Swish Swish, de Katy Perry, ou porque, ora bolas, aparece no comercial de Glow, da Netflix. A carioca – de onde mais? – é pop há mais de 40 anos, desde que surgiu como crooner, em 1976, e na sequência integrou o quarteto de As Melindrosas, que vendeu, de cara, em 1978, um milhão de discos.

Parou por aí? Jamais. Na sequência, em 1979, ela lançaria seu primeiro disco solo, My Name Is Gretchen, que teve como carro-chefe a deliciosa Freak Le Boom Boom. O disco é até hoje, segundo dados que ela confirma, um dos mais vendidos da história do cancioneiro nacional: 15 milhões de cópias, sendo 2 milhões deles comercializados na Argentina – muito mais do que alcançou Madonna em seu álbum de estreia. Tá boa?

Tá não, pois um sucesso traz outro e Gretchen ainda emplacou outros hinos, muito cantados em outras línguas, caso de Conga Conga Conga e Melô do Piripipi ela fala inglês, espanhol e francês. Vestida – ou seria despida? – com pouca roupa não parou de se reinventar: fez filmes, casou inúmeras vezes e jamais desistiu do amor. De musa do bumbum ou rainha do rebolado, virou persona de televisão e, como a “rainha dos memes”, foi convertida em ícone internacional. Sim, porque sua fama já tinha extrapolado e quebrava a internet faz tempo – e não devido a Katy Perry.

É exatamente isso: Gretchen é um exemplo de determinação e de inteligência, sim. Ao conversar com ela, percebe-se uma artista decidida, franca, esperta, com consciência de seus pontos fortes e fracos – e que domina a carreira e ainda cuida de uma família extensa: é mãe de cinco filhos biológicos e dois adotivos. Sendo Thammy, seu mais conhecido filho, ator e trans, de quem ela fala com franqueza ao relembrar que, como quase toda mãe, sofreu no início para aceitar sua condição. Mas aceitou pois acredita que o amor é transformador. Fofa!

Às vésperas de aterrissar em São Paulo, no próximo dia 28 de julho, como estrela absoluta do Clubinho Upstairs, no Espaço 555 mais infos aqui – ela cede uma entrevista exclusiva para a gente toda moderninha, via áudio de whatsapp, e se abre sobre maturidade, evitando conselhos para outras divas como Anitta e, claro, discorre sobre a importância da comunidade LGBT em sua carreira: “A comunidade LGBT é tudo para mim. São os gays que nutrem e fazem a minha carreira um sucesso”.

Como é figurar na lista das intérpretes mais vendidas do Brasil e o que você diria aos críticos musicais que torcem o nariz para sua obra?

Eu não tenho nada para dizer aos críticos musicais, sabe? Eu sou uma pessoa muito na minha. Vivi minha vida toda sem me preocupar com imprensa, sem me preocupar com as críticas, com o que as pessoas pensam. Acho que é por isso que eu sempre segui em frente. Portanto, estar na lista das mais vendidas é muito legal, mas não acho que é coisa mais fora do comum do mundo, entende?

Nos anos 1970 e 1980 você provocava com um “vestido” tipo de tiras na televisão. Sua ousadia é algo natural?

O jeito de me vestir sempre foi uma coisa muito minha. O vestido que você se refere foi minha mãe que fez e foi a primeira roupa que usei na televisão. Foi ela quem o costurou porque naquela época as mães costuravam para os filhos. Foi uma escolha minha, absolutamente natural.

No lyric video de Swish Swish, de Katy Perry

Como é envelhecer e ainda ser um símbolo de mulher poderosa?

Eu tenho quase 60 anos (risos). E acredito que envelhecer como eu estou envelhecendo é incrível. Sou uma mulher que se cuida e que está num momento da maturidade muito legal. Faço pilates todos os dias, faço tratamento hormonal. Enfim, me cuido para estar sempre bem. E falo abertamente sobre isso porque tenho orgulho de ter a idade que tenho e ter o corpo que tenho.

Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo ou se arrepende de algo?

Se eu pudesse voltar no tempo? Eu faria só algumas coisas diferentes, mas não quero falar disso porque traz à tona os poucos assuntos que me incomodam. Portanto, eu sou uma pessoa que praticamente não se arrepende de nada. Simples assim.

Fala-se muito que você se casou dezenas de vezes…

Na verdade foram apenas cinco casamentos. E este é um assunto que julgo desnecessário porque é uma parte íntima de minha vida. O importante é dizer que acredito no amor, sim. Tanto acredito que consegui encontrar a pessoa que queria (o empresário português Carlos Marques).

O amor acaba?

O amor quando verdadeiro não acaba. E se acabou é porque não era amor. Posso dizer que estou amando, casada há cinco anos com o Carlos e, creio, ficarei com ele para o resto de minha vida!

Com Rita Cadillac no novíssimo comercial de Glow, da Netflix

Em 1982 você estrelou o filme cult Aluga-se Moças com a Rita Cadillac, agora sua companheira em comercial da Netflix. Amigas ou inimigas?

Essa é uma rivalidade que a imprensa criou. Nós sempre fomos amigas. Não existe e jamais existiu inimizade entre mim e ela.

Você conseguiu ser amada em tempo de haters. Qual seu segredo?

Sabe qual é a verdade? Os haters são jovens, jovens carentes, jovens que precisam de atenção, jovens que precisam ser amados. Eu só dei meu amor para eles. E o que aconteceu? Eu conquistei os haters exatamente porque dei a eles o que o mundo precisa: amor. É amor que tenho para dar.

E então você se tornou a rainha da internet. Como você a usa?

Eu não uso a internet para me tornar rainha. Eu não uso a internet para me fazer de nada! Eu uso a internet por mim, porque eu quero, porque eu gosto, para ajudar as pessoas. Se a internet me fez rainha é porque o público se identificou comigo.

Qual conselho você daria para outras cantoras que começam a deslanchar numa carreira internacional, tipo a Anitta?

Eu não tenho conselho para dar para a Anitta, nem para artista nenhum. Cada artista faz sua carreira do modo que acha interessante, do modo que acha legal.

Quem é a Maria Odete?

É uma mulher normal, que cuida da sua casa, do seu marido, dos seus filhos e da sua vida profissional de um forma séria, organizada e disciplinada. Essa é a Maria Odete.

Conga Conga Conga, no extingo programa Globo de Ouro

Thammy Miranda é seu filho trans. Como você o apoiou? E que conselho daria a qualquer mãe que descobrisse a condição sexual do filho?

Olha, no começo foi difícil aceitar. Afinal, sou humana. O conselho que eu dou para as mães? Amem seus filhos exatamente como eles são, pois os amando não há como errar!

Qual a importância da comunidade LGBT para você?

A importância da comunidade LGBT para mim é intensa, única. São os gays que nutrem e fazem a minha carreira um sucesso. Enfim, a comunidade é tudo para mim.

Cantando seu primeiro grande sucesso, Freak Le Boom Boom, de 1979, em 1993

Por fim, o que podemos esperar de sua parceria com Katy Perry? Vai conhecê-la pessoalmente?

Ai, juro que não posso falar mais nada além do que já falei até agora. Eu assinei um contrato de confidencialidade e eu não posso falar maaaaiiiissss nada! (risos).

Tá bom! Então, vai ter você dançando Swish Swish em seu show no Espaço 555, dia 28 de julho, em São Paulo?

Claro que sim! E eu espero que seja um sucesso, que todo mundo esteja lá, que todo mundo faça a coreografia de Swish, Swish comigo. E que seja o primeiro de muitos. Beijoooossss!


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