13 outubro, 2016

Além da ficção

O goiano Pedro Augusto provoca no Instagram. Mas ele garante que suas fotos são um personagem – e que ele é o oposto do que você vê

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Fetiches são parte das imagens do garoto!

No fantástico mundo gay do Instagram, meninos que fazem sucesso – e são seguidos por milhares – não são poucos. Mas quase todos parecem ter feito da fórmula de Kim Kardashian – o selfie e o melhor de seu corpo – uma receita de popularidade. Não é o caso de Pedro Augusto, cujo Instagram você segue clicando aqui. Na verdade, em sua conta, o moço confunde seu seguidor ao instigar sua imaginação: já são quase 80 mil fãs, em curva ascendente.

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Em momento cotidiano…

Mesmo bem ousado, logo nota-se que não dá para saber muito sobre o autor. Ora divulgando produtos de maromba, ora dando dicas de livro, ele encontrou uma forma inteligente de manter uma conta lucrativa. Mas garante que “não é profissão e nunca vai ser”. E que, apesar de tirar proveito fazendo permutas de produtos e até cobrando por alguns posts, ele conta que já está empreendendo em outra área e que o perfil ficará, em breve, de lado.

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E em ensaio nu, no Minhocão, em São Paulo

E quem ele é? Um goiano nascido e morador de Uruana chamado Pedro Augusto de Morais Belmiro. Com 28 anos, chegou a iniciar duas faculdades: design e arquitetura. Embora a primeira imagem seja a do rapaz de 84 quilos muito bem distribuídos em 1,70 metro, ele já trabalhou com móveis planejados, foi promoter de casa noturna, é espírita e, sim, não se esquiva as críticas de quem só vive em função de ganhar likes: “É um ambiente aterrador no qual pessoas visivelmente problemáticas estão com sede de aprovação alheia. Concordo com Umberto Eco que disse que a internet deu voz aos imbecis. E acrescento que ela mostrou o pior do ser humano”, dispara.

Os melhores momentos deste bate-papo, você confere abaixo.

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Você faz sucesso na internet, mas não deixa de ter suas críticas a ela. Porquê?

No início, com todos me elogiando e me desejando, sim, o ego inflou. Mas eu aprendi a lidar com isso e, hoje, isso não me afeta. A infelicidade das pessoas está na comparação. Se você não tiver autocontrole, uma volta no Instagram o deixará deprimido. Há viagens, pessoas comendo bem, relacionamentos aparentemente perfeitos, corpos esculturais. Tragédia não dá ibope.

Contribuiu ser promoter?

De certo modo, sim. Mudei de Goiânia devido a problemas de saúde de meu pai e acabei convidado para promover uma festa. Usei isso como distração e também para achar motivos para ir a Goiânia vez ou outra. Ali, talvez tenha apreendido a ver o lado fútil, invejoso e interesseiro de alguns gays. É uma vida triste.

Então seu Instagram foi mais afetado pelas faculdades de arquitetura e design?

Sim. Tudo relacionado às artes, ao design e à arquitetura me inspiram. Fiz curso de pintura no ensino médio. Sou desenhista também. Muitas das fotos que posto fazem alusão a pintores como o Caravaggio (italiano bastante importante na arte barroca dos séculos 15 e 16).

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Com a mãe em rara aparição pessoal

Qual o lado bom e ruim de ser popular na internet?

O lado ruim é que pela ousadia e a exposição em overdose passo a imagem de uma carne na vitrine. Também acham que sou garoto de programa e fazem propostas das mais espantosas. O que elas não sabem é que aquele cara e só um personagem.

É lucrativo?

É uma economia. Cobro por postagens e tenho patrocínios em suplementos, serviços estéticos, dentários, comida em restaurantes, baladas… E recuso muita coisa.

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Selfie: cada dia mais raro

Você posta de tudo, até dicas de livro…

Esse é o grande paradoxo. Na visão das pessoas quem curte cuidar do corpo necessariamente é burro e fútil. Mas isso está mudando e eu adoro ver a cara de espanto dos caras que deixo me conhecer mais a fundo. Todos se surpreendem. E logo esquecem o Pedrão do Instagram… (risos).

Mas há mais partes do corpo que selfies…

Foi tudo pensado. A curiosidade me excita. Prefiro postar partes a ver de fato algo muito explícito. O Instagram está cheio disso.

E também há muito de fetichismo gay, não?

Sou fetichista. Adoro tudo isso e o universo casual não faz meu quesito quando se trata de sexo. Mas acredite, sou o oposto de tudo o que você vê.

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Um livro também pode ser uma ousadia

Está me dizendo que você é supertradicional no amor, por exemplo?

Amor parece obsoleto em tempos de Tinder. Hoje as pessoas são usadas e descartadas, colocadas de lado na menor contrariedade. Preferem buscar o novo do que tentar encaixar no que já existe. Elas não sabem o significado de amar e pulam de namoro em namoro como macacos. Não percebem que vão viver a mesma coisa com um corpo diferente. Mas acredito nas muitas formas de amor.

Por exemplo?

Essa coisa de ‘para sempre’ é algo que precisa ser atualizada. Hoje pode se viver um amor forte e intenso que vai te marcar para todo o sempre sem necessariamente ser para a vida toda.

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Segundo Pedro: mais partes que um todo

Monogamia ou poligamia?

Sempre tentei a monogamia, nunca deu certo. Em meu próximo relacionamento quero viver sem mentiras e sem hipocrisia. Estou prestes a entrar em uma relação nada monogâmica. Mas não quero falar disso (risos).

Qual sua maior crítica ao mundo gay?

Existe mais dor que alegria. Olhando por uma visão espírita, que é a minha, ser gay é algo natural da vida. Porém, nós nos perdemos no excesso. É tudo muito: muito sexo, muita droga, muitas baladas, um parque de delícias. Sei que o mundo é mais que isso e não posso julgar por também ter meus momentos neste parque.

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