8 abril, 2016

We are family!

A gente conversou com Rogério Koscheck, presidente da ABRAFH, sobre o supercongresso que vai balançar o Rio e contará com diversas palestras com nomes de peso, além de ter ainda uma Mostra de Filmes gays canadenses

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Rogério Koscheck e seu marido, Weykman Padinho, com suas quatro crianças adotadas

Quatro dias dedicados às famílias homoafetivas. É isso que propõe o 1º Congresso Internacional da ABRAFH (Associação Brasileira de Família Homoafetivas) – tudo obra de um personagem que este site adora: Rogério Koscheck. O evento ocorrerá entre os dias 28 de junho de 1º de julho no Rio de Janeiro e é organizado totalmente pela associação, que conta com o apoio de diversos órgãos públicos jurídicos – diz que vai ter festão de encerramento!

Em parceria com a OAB, Organização dos Estados Americanos e o Instituto Brasileiro de Direito da Família, o Congresso trará nomes de peso para as mesas, como a jurista Maria Berenice Dias e o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso.

Para descontrair, também haverá uma Mostra Canadense de Filmes com oito títulos, a maioria deles documentários – todos com a temática gay. Já ouviu falar em Open Secrets, de José Torrealba? O longa mostra como as Forças Armadas canadenses lidavam com a homossexualidade antes e depois da Segunda Guerra. Violência, preconceito e amor são outros assuntos abordados nos filmes. Não tem como perder, né?

E anote: ainda tem When You Love is Gay, de Laurent Gagliardi, um clássico de 1995, e o belo My Praire Home, um musical de Chelsea McMullan.

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My Praire Home, musical estonteante

Estar por trás de um evento deste porte deve ser uma tarefa e tanto. Mas Rogério Koscheck, presidente da ABRAFH, parece tirar isso de letra. Você já conheceu a história dele e da família aqui no site – ele e seu marido adotaram 3 crianças com HIV, lembra, se não, clica aqui? Falamos novamente com Rogério para saber das expectativas que ele tem sobre o evento e, claro, fazer uma apresentação digna de tudo de melhor que vai rolar.

O que você espera do congresso?

Esperamos que seja um momento de confraternização, mas de reflexão, de troca de experiências e de conhecimento de vários aspectos ligados à  homoafetividade e às questões LGBTI.

Por que você acha importante esse congresso?

O grande projeto da ABRAFH é mostrar para a sociedade modelos. Mostrar que as famílias são comuns, que todos nós somos comuns. Quanto mais houver informação sobre tudo relacionado às famílias homoafetivas, o preconceito e a discriminação tendem a reduzir cada vez mais.

Tem algum palestrante que você esteja mais ansioso para acompanhar?

Os temas variam. Tem temas relacionados a direito, medicina, cultura, religião. Eu acho que estará muito boa a mesa de educação, que mostra como as escolas lidam com as crianças LGBTI e também com as famílias homoafetivas. A mesa vai reunir experiências fantásticas, como a de jovem gay que passou por um processo de aceitação desde criança e sempre estudou na mesma escola. Outra convidada é uma mulher trans que vai falar como se sentia na escola e como ela se vê como mãe e como professora. Vai ter ainda uma socióloga pra mostrar a evolução da educação… Engloba muito o que é a ABRAFH, essa questão de aceitação das famílias e mostrar que somos gente comum. Acho que nesse momento a mesa é uma das minhas prediletas, mas não nego que estou ansioso para as mesas de religião e da que fala da mudança do paradigma da adoção no Brasil. Têm vários temas fantásticos.

O público vai poder acompanhar?

A gente quer uma participação ativa tanto da comunidade quanto de todo mundo que estiver no congresso. Que seja bem dinâmico e não só ir lá e fazer a palestra. Queremos mostrar a experiência e dialogar com quem esteja presente.

Mas quem é de fora vai poder entrar?

O congresso tem as inscrições. Nossa intenção é que a mostra de filmes, que tem incentivo do governo do Canadá, seja mais aberta. Estamos tentando um outro espaço, ainda maior, para que seja aberta ao público. É torcer!

E o que você acha de mais atrativo? O carro-chefe desse congresso?

É todo esse mix de assuntos, que vai desde a parte de direito até reprodução, adoção, políticas públicas e cultura. O conjunto todo de informação, discussão e essa mostra cultural que vai permitir a gente desenvolver dentro dos vários filmes, que mostram desde problemas de aceitação até questões ligadas às forças armadas… Então vai provocar uma reflexão muito grande, todas relacionadas a gente.

Você já assistiu algum dos filmes da mostra? Qual você recomenda?

Sem dúvida o que me tocou bastante foi o When Love Is Gay, de 1995. A maior parte da sociedade tem a visão de que os gays são promíscuos e que vivem em balada, farra. E o filme mostra o contrário: parcerias que duram anos, tanto em relação às famílias quanto a autoaceitação. Chega até a ter a participação de um ex-policial gay. É bem realista e sensível. Um filme não muito longo e muito gostoso de se assistir.


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